Estudo: Impacto do Combate aos Incêndios na Saúde Mental dos Bombeiros - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 7 de junho de 2021

Estudo: Impacto do Combate aos Incêndios na Saúde Mental dos Bombeiros

 


“Discutir o impacto do stress resultante do combate a incêndios na saúde e na qualidade de vida dos bombeiros e das suas famílias” foi o propósito de um webinar que reuniu segunda-feira, dia 31 de maio, bombeiros e suas famílias, profissionais de saúde e cientistas. O evento, designado por “A atividade de Bombeiro: Impactos do Stress na Saúde e Qualidade de Vida”, enquadra-se no projeto DECFIRE - Treino da tomada de decisão crítica e gestão do stress pós-traumático nos técnicos de combate a incêndios, desenvolvido por uma equipa multidisciplinar (médicos, psicólogos e engenheiros), liderada pelo neurocientista Miguel Castelo-Branco, da Universidade de Coimbra (UC).


Prevenir a repercussão na saúde mental da contínua exposição à adversidade dos bombeiros na sua atividade e melhorar a tomada de decisão foi um dos objetivos do projeto que estuda os aspetos críticos do combate a incêndios no contexto das ciências da saúde. Os dados prévios obtidos pelo grupo de trabalho clínico especializado na área do trauma confirmam a “exposição frequente a vivências potencialmente traumáticas”, sendo que “82 por cento dos participantes (mais de 200 bombeiros) já estiveram expostos a mais de 20 situações potencialmente traumáticas. A exposição continuada a este tipo de situações poderá vir a colocar em causa os seus mecanismos de funcionamento normais e condicionar a emergência de problemas ao nível da saúde mental”.


O docente da Faculdade de Medicina da UC e investigador do Coimbra Institute for Biomedical Imaging and Translational Research, Miguel Castelo Branco explica que o projeto DECFIRE “explora os processos cerebrais envolvidos na tomada de decisão crítica em condições extremas de combate a incêndios e a forma de melhorar a tomada de decisão nessas situações”, processos estudados “através de eletroencefalograma e imagem por ressonância magnética funcional, mas também com recurso a ambientes de realidade virtual”.


O projeto contou com simuladores específicos, capazes de simular de forma realista situações de combate a incêndios. Deste modo, “os participantes no estudo são expostos a cenários de situações de tomada de decisão desafiadoras, mas realistas, o que nos permite estudar a perceção de risco e o controlo emocional em situações extremas”. Miguel Castelo-Branco esclarece que “o domínio do fogo florestal é bastante diferente de outros cenários de emergência, em termos de cenários operacionais e fontes de incerteza. Os bombeiros precisam da capacidade de treinar situações e cenários inerentemente inseguros e difíceis de reproduzir, ou impossíveis devido a restrições ambientais, comunitárias e regulatórias”.


Salienta ainda que o projeto inclui um plano de “disseminação com demonstrações práticas para bombeiros, fornecendo oportunidades privilegiadas de treino em situações e cenários específicos de combate e domínio do fogo, inerentemente inseguros e de reprodução difícil fora do contexto de treino”. Mas é preciso também “sensibilizar os bombeiros e famílias, profissionais de saúde, associações corporativas e comunidade em geral para o impacto na saúde decorrente da exposição continuada à adversidade e para a importância na prevenção e ajuda precoce”.


O estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, iniciou em janeiro de 2020 e tem como parceiros o Centro de Prevenção e Tratamento do Trauma Psicológico, o Centro de Responsabilidade Integrada (CRI) de Psiquiatria do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, a Administração Regional de Saúde do Centro e a Federação dos Bombeiros do Distrito de Coimbra.


Fonte: Reconquista

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