Emergência em Desenrasque - VIDA DE BOMBEIRO

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sexta-feira, 2 de abril de 2021

Emergência em Desenrasque

 


O nosso sistema de emergência, tem vindo a demonstrar uma incapacidade real de responder de forma eficaz, ou pelo menos, de forma uniforme, como deveria ser seguindo os padrões internacionais.


Esta desorganização sentida na generalidade dos casos tem raízes históricas, uma vez que o sistema de socorro seja ele do combate a incêndios seja o da emergência pré-hospitalar, resultaram da organização da sociedade civil, perante a inexistência de uma resposta de quem de direito, ou seja, os sucessivos governos, em garantir ao cidadão um serviço publico nesta área, e assim, nascem as associações de socorros, as associações de bombeiros e afins, sempre no principio de desenrascar a população,  que está entregue a sua sorte, e que ainda está na generalidade do território.


No entanto, com a evolução dos tempos, estas organizações, que funcionavam na base do desenrasque, e no voluntariado, daqueles que as integravam, foram crescendo, mas, e mais uma vez sem que houvesse uma politica concreta de quem tem esta responsabilidade de garantir ao cidadão um socorro em tempo útil, apesar de hoje vermos muitas desta organizações dotadas de profissionais, mas muito deles não afectos ao socorro, mas sim a outras actividade, mais lucrativas, como se o socorro gera-se lucro, mas o que é um facto é que continuam a desenrascar as populações, respondendo dentro do possível, criando um sistema assimétrico que na prática dá uma falsa sensação de segurança a todos, uma vez que na sua maioria este está dependente da boa vontade em alguém se disponibilizar para responder a aquele acontecimento, em que em muitos casos esta boa vontade não é suficiente, e assim la se desenrasca a coisa mais uma vez.


No entanto, houve um espécie de profissionalização com a criação das denominadas EIP, em que em alguns locais, o cidadão passou a ter disponível uma garantia que teria socorro, das 09:00h as 18:00 de segunda a sexta, na sua generalidade para responder ao 7% da actividade que são os incêndio, ficando a emergência pré-hospitalar remetida mais uma vez para o desenrasque, apesar de existirem algumas excepções, em que equipas profissionais garantem este serviço, mas também aqui, devido a boa vontade das entidades que detém estes meios, uma vez que investimento do estado é mínimo, comparando-se com outros serviços. 


Esta falta de investimento, deu origem a que a desorganização e a falta de uniformização impera-se no sistema em que na prática em muitos casos não existe a garantia que o socorro esteja disponível, quando e necessário, mas desenrasca-se a coisa, porque mais tarde ou mais sedo alguma coisa vai aparecer, e mesmo que morra alguém, existe sempre um desculpa, em que a responsabilidade acaba por não ser atribuída seja a quem for.


Mas, o problema é a falta de investimento financeiro no sistema?


Em parte, sim, é claro que o investimento publico é insuficiente na generalidade dos casos, principalmente para aqueles que estão dependentes de subsídios para funcionarem ou mesmo até existirem, no entanto para outros não é bem assim, uma vez que algumas entidade publicas com responsabilidades no sector do socorro, com orçamentos milionários, esbanjam e alimenta a perversidade no sistema, alimentando, negócios que somente servem o interesse de alguns ou de alguns grupos colectivos.


Pudemos verifica esta perversidade na resposta a esta pandemia, em que alguns grupos de profissionais centralizaram em si, procedimentos, que poderiam ser realizados por outros, como podemos verificar, entre outras situações, o plano de vacinação,  que não olhando ao bem comum, olham ao seu interesse corporativista, de forma a garantir aos seus pares a melhor rentabilidade financeira, mas que este tipo de atitude não é exclusiva, mas transversal a praticamente a todos o sistema de saúde, principalmente a aquele que responde a urgência/emergência.


E assim, vais este país, refém dos interesses, em que muitos saem a ganhar, em prejuízo daqueles que realmente necessitam de ajuda e que para isso é necessário um socorro organizado e que responda de forma eficaz e uniforme, o que infelizmente não acontece.


Nelson Teixeira Batista

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