A Crónica da Ariana: "O Outro Lado da Pandemia" - VIDA DE BOMBEIRO

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domingo, 28 de fevereiro de 2021

A Crónica da Ariana: "O Outro Lado da Pandemia"

 


E cá estamos de novo para mais uma edição da vossa novela preferida, que é esta crónica. (Nota prévia, todos os nomes usados são fictícios e os primeiros que me lembrei, por isso não me linchem se tiver acertado em cheio nalgum).


Esta semana vamos dar folga às acções duvidosas que se têm feito chegar à comunicação social (sim, porque nós só sabemos o que não é abafado), e vamos focar-nos noutro aspecto menos falado, mas não menos importante desta pandemia.


Chegou a hora da saúde mental.


Passado um ano depois do início desta coisa que veio mudar a maneira como vemos o mundo, para aqueles que veem com regularidade as pessoas que recorrem aos serviços de saúde uma coisa é óbvia: Esta pandemia tem dos seus efeitos mais devastadores na saúde mental de todos.


Desde o Paulo, que teve de fechar o seu pequeno negócio, que tinha começado o ano anterior e que estava em crescimento, mas que, por causa do confinamento, teve de parar a produção e as contas começaram a acumular.


Ao Ricardo, que tinha a sua pastelaria numa zona pitoresca da cidade e que, com a ausência de turistas, não conseguia justificar os custos de manter as portas abertas.


À Alexandra, que depois de estar em teletrabalho, bem como o seu então marido, começou a não aguentar as discussões constantes e o tempo que passavam juntos (que pela primeira vez em anos era mais dos que 1 a 2 horas por dia), e está agora a tentar cuidar da educação online do filho enquanto tenta navegar a sua nova casa (e vida).


À Laurinda, que tem de viver com o conhecimento que o seu filho e o seu pai estão agarrados a um ventilador por causa de uma doença que foi ela que lhes transmitiu.


Ao Xavier, que no alto dos seus 83 anos, vê a sua (pequena) terra ainda mais pacata, desprovida de vida e solitária.


O ano que passou foi um ano de grandes sucessos, mas também de gigantes derrotas, e estará a mentir aquele de nós que disser que não se sentiu afectado. Nós somos seres sociais e isso foi o que nos foi mais tirado. Por isso, não se esqueçam de dizer um “Amo-te”, de ligar só porque sim ou de dar os bons dias aos que fazem a vossa vida cheia. Não deixem de estender a mão a quem está em baixo ou viu a sua vida virada do avesso.


Não se esqueçam que podem pedir ajuda quando não se sentirem capazes. Não há vergonha nenhuma em pedir ajuda.


A saúde mental será provavelmente das piores sequelas desta pandemia. Estamos todos cansados, fartos, exaustos e (uns mais outros menos) desesperados. Temos de ajudar a nossa “comunidade” e temos de estar atentos aos que estão demasiado fracos para sequer pedir ajuda. 


Todos queremos chegar ao fim disto, mas todos queremos ter com quem estar, rir e celebrar.


Ariana Ribeiro

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