Será 2021 o Ano da "Morte" dos Bombeiros Voluntários em Portugal? - VIDA DE BOMBEIRO

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sábado, 2 de janeiro de 2021

Será 2021 o Ano da "Morte" dos Bombeiros Voluntários em Portugal?

 


Antes de começar quero desejar a todos sem exceção um excelente ano de 2021, e principalmente para todos os homens e mulheres que envergam a farda dos bombeiros, deixar-vos uma palavra de coragem para os tempos que se aproximam.


2020 já lá vai, e já contamos com dois dias de 2021, não queria começar o ano desta forma, rude, triste, desanimado, mas infelizmente é o estado de espirito que tenho neste momento.


Quero acreditar que 2021 possa ser um bom ano para os Bombeiros Portugueses, mas infelizmente não consigo acreditar nisso.


Vivemos uma "guerra" invisível, e como sempre lá estamos nós na primeira linha, para lá da linha da frente, sempre de olhos nos olhos do "inimigo", mas mesmo assim não sabemos o que nos reserva o futuro.


Longe da ribalta e dos mediatismos, continuam homens e mulheres, com as mais variadas fardas, envolvidos num combate desigual, e outros tantos, numa outra esfera de acção, que por não fazerem parte dos conteúdos que vendem tabloides ou que abrem os noticiários em horário nobre, passam ao lado do conhecimento geral.


Neste lado da barricada do qual ninguém se lembra, não há erros para apontar porque não há tempo para que se cometam, aqui, naquela face dos Bombeiros que não acontece apenas no verão, somos nós quem tem de decidir o que fazer, aqui onde as entidades se tratam por tu, onde o pó, o suor e as lágrimas dos sucessos alcançados pertencem a todos os que lá estão, onde todas as forças convergem para um mesmo objetivo, dar o melhor de si pelos outros.


Ano após ano, "guerra após guerra", e tudo continua exatamente igual.


Domesticaram os Comandantes e eles aceitaram, diga-se em abono da verdade, (graças a Deus que ainda há honrosas exceções) e criaram-se Diretores políticos, uns servindo-se das Associações, uns para fazer oposição ao poder politico instalado no Concelho e outros da cor fazerem obra com a ajuda do poder local. (Felizmente também aqui há honrosas exceções).


E assim chegamos a um estado em que a tropa que ninguém representa vai evoluindo em formação e “cidadania” uns tornando-se bons homens e bons bombeiros outros em eternos invejosos ressabiados a quem a formação nada acrescentou. Muitos aprenderam, e rápido, a fugir com o cu a seringa e para isso basta um, “Comandante não tenho condições de segurança” e sobre isso nada nem ninguém pode fazer, por isso não fazem. Só balelas…


O estado a que isto chegou já não tem conserto.


O Governo, que já nos apalpou o pulso muitas vezes e há muitos anos, lembram-se? Sabe das fragilidades dos bombeiros e da desunião, sobretudo da desunião. Numa altura em que havíamos de estar mais unidos que nunca, assistimos ao nascer de “Associações”, provavelmente algumas incentivadas pelo poder político para dividir e os Bombeiros mais uma vez a embarcar de olhos fechados.


Agora é mais ou menos como dizia o Banqueiro, Aguentem, aguentem.


Meus amigos ando nisto há mais de 30 anos, sempre defendi, com unhas e dentes os Bombeiros, mas de há um tempo para cá sinto-me triste, desiludido com o rumo que isto está a tomar e nós deixamos. 


Porra se não somos necessários ou se só somos necessários para certos serviços, digam-no, assumam-no e se o não fizer, obriguemo-los nós a dizerem e a assumirem.


Mas não, nós gostamos de ostentação, de desfilar em parada, muitas das vezes mal feitas, e se nos derem um “PÓPÓ” novo ou um EPI para espaços rurais, nós ficamos contentes. Mas deste EPI já não vamos precisar, na melhor das hipóteses vamos andar sempre de “NOMEX” oferecidos por estrangeiros, porque o que nos está destinado para tal é Proteção de Pessoas e Bens, há e já agora não esquecer os "autocarros" para fazer evacuações, só isso, mas fomos nós que deixamos, não se esqueçam.


Com tudo isto não me resta sequer outro pensamento senão este: 2021 pode muito bem ser o ano da "morte" dos Bombeiros Voluntários em Portugal.


Desculpem lá o mau humor, mas desejo-vos do fundo do coração um bom ano de 2021.


De um bombeiro que anda por aí na chamada "LINHA DA FRENTE"

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