O Valor dos Números - VIDA DE BOMBEIRO

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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

O Valor dos Números

 


Ao longo deste tempo de pandemia a Liga dos Bombeiros Portugueses tem solicitado muitas vezes, quer junto da ANEPC/MAI, quer junto do INEM/Ministério da Saúde, que seja informada sobre o número de transportes de doentes suspeitos e/ou infetados com COVID19 efetuados pelos bombeiros. Para já, apesar da insistência, e face à ausência dessa informação ficamos sem saber tratar-se de um número bem guardado, cujo secretismo não se justifica, ou pura e simplesmente de um número desconhecido, o que é ainda mais grave.



Em qualquer caso, é plenamente justificada a estranheza ou mesmo desconfiança que se possa evidenciar perante a ausência desses números. E o protesto, a esse propósito, é igualmente justificado e legítimo.


Para já, permitimo-nos interpretar esse episódio como um eventual esquecimento de contagem e classificação deste tipo de serviço como inaceitável. Se há procedimentos tão rigorosos para, quer através do INEM/CODU, quer através da ANEPC/CDOS, identificar e caraterizar as missões executadas pelos bombeiros a solicitação destas entidades, não pode deixar de ser estranho que não tenha havido a atenção e o cuidado para tal.


Quer o INEM, quer a própria Cruz Vermelha Portuguesa, sabem quantos serviços COVID efetuaram e têm regularmente apresentados esses números. A própria SAÚDE24 sabe quantas chamadas reencaminhou para os bombeiros.


A Liga tem insistido várias vezes em poder aceder às bases de dados onde são feitos os registos dos serviços executados pelos bombeiros. Esse acesso permitira por moto próprio saber, analisar e, porventura, ajudar a definir e a planear novas estratégias de ação. Seria sem dúvida uma mais valia. Contudo, esse direito, que a LBP reconhece ser seu, enquanto representante de todos os bombeiros portugueses, tem-lhe sido negado.


Todos sabemos que os números, sejam eles quais forem, são de capital importância para a vida de todos nós, da sociedade, das instituições, das empresas, do próprio Estado. Logo, quando os vemos desconhecidos, apagados, esquecidos ou sonegados só podemos ser levados a concluir que algo está mal, mesmo muito mal.


Quem alinhe em análises conspirativas poderá interpretar a falta de números do COVID como uma tentativa de esquecimento ou de mascarar tudo aquilo que os bombeiros já fizeram de muito nesse domínio. E quem não quiser enveredar por esse raciocínio como poderá interpretar a mesma realidade?


Em abono da verdade, em convicção geral, é sabido que os bombeiros transportaram milhares de doentes suspeitos ou infetados com COVID e é também sabido que o fizeram com muitos custos e riscos. Desde logo, obrigados ao uso de equipamentos de proteção cujo custo tiveram que arcar. Depois, estiveram sujeitos, e nalguns casos foram vítimas, de contágios que poderiam ter sido bem evitados caso as informações que lhes chegavam fossem as corretas. E, ainda, se desde o início tivessem sido também devidamente enquadrados na “task force” que o INEM agilizou com a CVP só para doentes COVID.


De início, foi definido pelas entidades competentes que os bombeiros iriam constituir uma segunda linha para doentes COVID. Mas a realidade rapidamente demonstrou o contrário. Todos os sabemos, e não vale a pena escamotear a realidade. Não obstante ela ter sido, de fato, um calcanhar de Aquiles, dado que as mesmas entidades acabariam por reconhecer que isso não estava a acontecer. Mas sem, contudo, garantirem meios e recursos para que os bombeiros pudessem cumprir essa missão.


Se se sabe que durante a pandemia ficaram por fazer, menos que em 2019, 7 milhões de contatos presenciais em cuidados de saúde primários nos centros de saúde, que ficaram por fazer 17 milhões de meios complementares de diagnóstico e terapêuticos e que houve menos 2 milhões de cuidados de saúde hospitalares, metade deles episódios de urgência, qual a razão, ou os razões, para que os bombeiros não saibam quantos serviços prestaram no âmbito do COVID?


Não se esqueça, ou mascare, é uma advertência, os números relativos à atividade dos bombeiros. Dir-se-á que é convicção geral dos portugueses que os bombeiros fazem muito e bem. Mas, mesmo assim, há momentos em que essa convicção pode e deve ser alimentada com números, os números da verdade.


É precisamente isso por que a LBP tem pugnado muitas vezes e que aqui, também, mais uma vez lembramos. Os números não serão tudo mas ajudam a identificar, a mensurar e verificar muito. Os bombeiros, pelo menos, nunca tiveram nem terão medo deles.


LBP

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