Pediram socorro durante 20 minutos: a história do incêndio que matou um bombeiro e deixou outros quatro feridos - VIDA DE BOMBEIRO

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domingo, 12 de julho de 2020

Pediram socorro durante 20 minutos: a história do incêndio que matou um bombeiro e deixou outros quatro feridos


Era um incêndio “normal, em que a coluna de fumo não está inclinada, tocado a vento e atiçado por trovoada seca. Nada fazia prever este desfecho”. O desabafo é de um dos comandantes dos bombeiros da Lousã que às 19h19 começou a escutar as primeiras comunicações “com pedidos de socorro” e, acrescenta, “não fui o único”. O socorro só haveria de chegar 20 minutos depois.

O alerta para o fogo de Trevim, que vitimou um bombeiro e queimou outros quatro, “foi dado às 18h26”, confirma o adjunto de operações no Comando Nacional de Socorro. De imediato “foi analisada a situação e ativado o ataque ampliado” acrescenta Sérgio Trindade. “No reforço enviado para o local, às 19h45 seguia uma equipa de combate a incêndios, de Miranda do Corvo”, com apenas quatro homens. “Entraram pelo flanco esquerdo, vê-se bem que a coluna de fumo não está inclinada e a preocupação foi evitar que o fogo descesse a Castanheira de Pera com perigos maiores”, adianta o oficial.

No local um helicóptero ainda fez descargas, mas o adjunto de operações no Comando Nacional de Socorro esclareceu, em declarações ao Expresso, que os meios aéreos “não tiveram condições de atuar”. Porém, confirmam os bombeiros, o helicóptero enviado para o ataque inicial “ainda fez descargas na cabeça com a equipa de Miranda do Corvo a entrar pelo flanco esquerdo”. Foi às 19h19 que a equipa “começou a pedir socorro. Comunicações pouco percetíveis, mas em que se entendia o desespero”, adianta o oficial dos Bombeiros da Lousã. 

Na viatura de combate a incêndios florestais estavam quatro homens chefiados pelo chefe José Augusto, “um bombeiro voluntário capaz e funcionário da autarquia”. Dois dos bombeiros conseguiram escapar, outros dois seriam vitimados. Um morreu e outro sofreu queimaduras nos membros inferiores e foi enviado para os Hospitais da Universidade de Coimbra. É este desfasamento, “entre a guarnição da equipa, que deveria ter cinco homens e só tinha quatro” que explica as informações contraditórias.

Luís Antunes, presidente da Câmara da Lousã, adiantava pouco depois das 20 horas “ter a confirmação de uma morte”, mas não saber ainda de mais feridos. O adjunto de operações no Comando Nacional de Socorro adianta que “a situação era difícil em todo o Centro do país”. Sérgio Trindade, que confirma “um morto e um ferido dos Bombeiros de Miranda do Corvo e 3 intoxicados da Corporação da Lousã”, adianta que “se registavam temperaturas elevadas, com ventos fortes e vários focos de incêndios”.

Na frente de fogo a equipa do chefe José Augusto começou a pedir socorro “às 19h19, e todos perceberam que eles estavam cercados pelas chamas”, adianta a fonte dos Bombeiros da Lousã. O socorro enviado já chegou tarde e “depois de um momento de desorientação inicial, quando percebemos o que havia sucedido, confirmámos a morte, adiantou o autarca da Lousã”.

No terreno os bombeiros lamentam a morte. “Este era um fogo fácil, era seguir o protocolo e evitar-se-ia uma morte. Houve pouca experiência no Comando Nacional e seria bom que todos ouvissem as comunicações para perceber o que se pode evitar em havendo experiência”.

Ao Expresso o gabinete do Ministério da Administração Interna confirmou a “abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias em que correu a morte do Bombeiro e para aquilatar da composição da equipa” e lamentou “o momento trágico vivido pelos bombeiros, que de forma generosa integram o esforço nacional na defesa da floresta contra incêndios”.

A morte do chefe José Augusto foi o primeiro óbito registado em operações de combate a incêndios este ano. Na serra da Lousã pede-se “uma investigação isenta ao que aconteceu. Para se aprender alguma coisa e para que não seja mais um em vão”, conclui um dos operacionais de Miranda do Corvo.

Fonte: Expresso

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