COVID-19 Piora Época de Incêndios Já de Si Complicada - VIDA DE BOMBEIRO

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

sexta-feira, 3 de julho de 2020

COVID-19 Piora Época de Incêndios Já de Si Complicada


“Nunca nenhum de nós teve de fazer isto anteriormente” – Equipas de bombeiros têm de inovar para evitar a doença enquanto protegem os outros.

Em 2019, o Departamento de Florestas e Proteção contra Incêndios da Califórnia – conhecido pela abreviatura Cal Fire – respondeu a mais de 1500 incêndios. Em 2020, este número já subiu para os 2700.

“Neste momento, qualquer humidade que reste na vegetação está a secar rapidamente”, diz Amy Head, chefe do Regimento Cal Fire. “Estes níveis de humidade do combustível já estão baixos para o mês de junho, por isso, se não tivermos algum tipo de chuvas fortes no verão... será um grande problema.”

E Amy admite resignadamente que as chuvas fortes “provavelmente não vão acontecer”.

O Centro Nacional de Previsão do Clima da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA prevê condições de seca para a Califórnia até setembro, e o Centro Nacional de Incêndios prevê que a época de incêndios deste ano – de junho a setembro – tenha um número acima da média de incêndios na região sudoeste e noroeste do Pacífico. Este verão também promete ser o mais quente de que há registo, e um incêndio enorme no Arizona já atingiu perto de 800 km quadrados. Os bombeiros e as equipas de emergência estão agora a preparar-se para enfrentar estes perigos – mas receiam que a pandemia de COVID-19 possa diminuir a sua força de trabalho e apresentar riscos adicionais para a saúde dos socorristas e das pessoas que necessitam de auxílio.

“Nunca nenhum de nós teve de fazer isto anteriormente”, diz Amy. “Ninguém teve de lidar com uma pandemia durante a época de incêndios.”

Prevenção desestabilizada
Antes da época de incêndios florestais começar, os esforços para a sua mitigação já tinham corrido mal. Em abril, citando preocupações sobre o distanciamento social e sobre os perigos respiratórios representados pelo fumo dos incêndios, o Serviço Florestal dos EUA suspendeu as práticas de fogo controlado em vários estados, um método de prevenção de incêndios florestais. A Califórnia, que reservou milhares de milhões de dólares para se preparar para os incêndios florestais, viu muitos destes projetos suspensos devido às consequências económicas da COVID-19, que forçaram este estado a fazer cortes significativos no seu orçamento.

No Condado de Missoula, no estado de Montana, um programa dirigido pelo Corpo de Conservação do Montana – programa que visa tornar as casas mais resistentes ao fogo – foi interrompido este ano.

“Quando tentamos evitar desastres nas áreas florestadas urbanas, limpar os terrenos em torno das habitações é sem dúvida a coisa mais importante a fazer”, diz Max Rebholz, coordenador de prevenção de incêndios florestais do Condado de Missoula.

Rebholz refere-se às zonas onde os subúrbios fazem fronteira com as florestas e, geralmente, estas áreas são onde as casas correm maiores riscos de incêndio. Normalmente, os bombeiros e voluntários ajudam os proprietários a lidarem com os perigos dos telhados inflamáveis e com a vegetação seca nos quintais. Este ano, parte destes esforços foi feita remotamente através de videochamadas entre proprietários e especialistas em incêndios, mas Rebholz diz que “não é possível substituir a avaliação presencial”.

Combater incêndios com distanciamento social
Nesta primavera, vários centros de formação de combate a incêndios florestais cancelaram ou adiaram os seus cursos, e alguns centros optaram pelo treino de bombeiros através de videochamadas pela aplicação Zoom.

“Há várias questões para as quais não temos uma boa resposta”, diz  Jim Whittington, consultor independente de ações de resposta a incêndios florestais. “Qual será a nossa capacidade de utilização do sistema nacional de pedidos de recursos e como é que vamos conseguir atrair voluntários de todo o país? As viagens terão limitações? Se vierem de uma zona de foco [de COVID-19], isso terá consequências?

As equipas do serviço florestal dos EUA que combatem incêndios em zonas mais remotas são chamadas equipas Hotshot. Stanton Florea, especialista em comunicações de combate ao fogo, diz que as equipas Hotshot, que normalmente ficam isoladas em grupos de 20 bombeiros, estão a respeitar as diretrizes do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) mantendo a distância de outras equipas e usando máscaras sempre que entram em espaços públicos.

O CDC chegou a emitir diretrizes específicas para os bombeiros, embora muitas sejam semelhantes às comunicadas ao público em geral.

No entanto, os incêndios florestais mais graves exigem que milhares de bombeiros fiquem estacionados num acampamento base. Este ano, Amy Head diz que os acampamentos serão mais dispersos e que terão mais camas e estações de lavagem para as mãos. Nos anos anteriores, os bombeiros reuniam-se em torno de mesas enormes para comerem e para fazerem as suas reuniões todas as manhãs. Porém, para reduzir os aglomerados de pessoas, a Cal Fire planeia disseminar as informações e fazer as refeições por turnos.

No Arizona, onde este ano já deflagraram vários incêndios florestais de grande dimensão, as equipas já estão a respeitar as novas regras de distanciamento social.

Paul Lemmon, chefe dos bombeiros designado para o incêndio Mangum no Arizona, diz que o que normalmente seria um enorme acampamento base foi dividido em “campos de pico” mais pequenos. As refeições são embaladas e entregues a cada acampamento, e as atualizações são fornecidas remotamente.

“Com a COVID-19, as informações são todas feitas via rádio. Não temos aquela conetividade [presencial]. É tudo mais virtual”, diz Lemmon. “As verificações de saúde são feitas diariamente.”

Um dos maiores desafios, acrescenta Lemmon, é manter a distância de outras equipas que normalmente seriam cumprimentadas com um aperto de mão ou com um abraço. “Somos uma comunidade muito unida; é difícil não dizermos olá.”

“Estamos a certificar-nos de que os nossos membros tomam as devidas precauções e que mantêm o distanciamento social sempre que possível”, diz Ken Overton, oficial de relações públicas do Departamento de Bombeiros de Phoenix. Apesar de o número de infeções por COVID-19 no Arizona estar a aumentar, Overton diz que as equipas continuam saudáveis e que as táticas de combate a incêndios não se alteraram.

Fornecer abrigo seguro para as populações afetadas
A COVID-19 é uma doença altamente contagiosa que se propaga facilmente através da respiração, da fala, dos espirros e tosse, e isso faz com que os abrigos para as pessoas retiradas de uma zona de incêndio sejam um desafio logístico.

A Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) emitiu diretrizes atualizadas para mitigar esta propagação. Nos centros de resposta a desastres, recomenda-se a verificação da temperatura corporal, o aumento dos horários de limpeza e a utilização de equipamentos de proteção individual.

A Cruz Vermelha, que presta auxílio às pessoas afetadas pelos incêndios florestais, também reformulou a sua estratégia de atendimento de emergência. Pela primeira vez, as assistências financeiras e o apoio psicológico serão fornecidos remotamente. Os hotéis usados como abrigos devem adotar medidas de distanciamento social e, quando os hotéis não estiverem disponíveis, as camas colocadas em espaços abertos devem manter distâncias de segurança. Para além disso, todas as pessoas nesta situação devem ser monitorizadas regularmente.

A Cruz Vermelha enviou uma declaração por email à National Geographic onde dizia: “Quando a pandemia começou, a Cruz Vermelha tinha um abastecimento limitado de vários tipos de equipamentos de proteção individual, mas desde então já adquirimos mantimentos adicionais, incluindo máscaras faciais, desinfetante, termómetros e outros recursos críticos para manter a nossa força de trabalho e as pessoas a quem servimos em segurança.”

Mas é difícil assegurar que as vítimas têm acesso a cuidados de saúde durante a ocorrência de desastres naturais.

“Isto complica muito as coisas e há várias equipas a nível estadual e municipal que estão a tentar perceber como é que se vão adaptar”, diz Nicolette Louissant, diretora executiva da Healthcare Ready, uma organização sem fins lucrativos especializada em ajudar as vítimas de desastres naturais a terem acesso a cuidados de saúde.

Nicolette encoraja as pessoas que vivem em regiões propensas a incêndios florestais a encherem uma mochila com roupas e mantimentos para o caso de uma evacuação de emergência.

Fumo dos incêndios e COVID-19
Não se sabe até que ponto o fumo dos incêndios pode fazer com que alguém fique mais suscetível a contrair COVID-19, ou a sofrer os piores impactos respiratórios da doença, embora seja uma preocupação que, de acordo com Whittington, muitos socorristas levam em consideração, porque o coronavírus que provoca a COVID-19 atinge geralmente os pulmões.

Um estudo publicado no início de junho na Environment International sugeria que as épocas de incêndios florestais maioritariamente ativas durante o verão estavam associadas a mais casos de gripe no inverno subsequente. O fumo dos incêndios transporta partículas perigosas – chamadas material particulado 2.5, ou PM 2.5 – que podem afetar os pulmões e o sistema imunitário de uma pessoa.

Erin Landguth, uma das autoras do estudo e investigadora especializada em poluição do ar na Universidade de Montana, alerta que são necessárias investigações adicionais para estabelecer um vínculo claro entre a inalação de fumo dos incêndios e uma maior vulnerabilidade à gripe e aos coronavírus.

Mas sabe-se claramente que o PM 2.5 provoca o caos nos nossos pulmões.

“Temos evidências de que isso suprime a resposta imunitária e que provoca inflamações nas nossas células pulmonares”, diz Landguth.

Apenas o começo
Nos EUA, muitos dos estados já estão a enfrentar uma época de incêndios ativos, mas é em setembro e outubro que o norte da Califórnia, o Oregon e Washington podem vir a enfrentar os problemas mais graves. No sul da Califórnia, o outono traz consigo os ventos quentes e secos de Santa Ana, que tornam os pequenos incêndios mais propensos à catástrofe.

Nos últimos anos, os EUA receberam assistência de voluntários e de equipas internacionais de combate a incêndios. Este ano, não se sabe se essa ajuda vai chegar.

Florea diz que o serviço florestal federal tem as equipas todas completas, e Amy diz que acontece o mesmo com a Cal Fire.

“Ainda estamos no início da época de incêndios. À medida que a época avança, podemos vir a assistir a algumas decisões tomadas devido à falta de recursos”, diz Whittington, o que significa que os helicópteros e os aviões, os carros de bombeiros e os homens no terreno serão direcionados para os incêndios mais complicados.

No Arizona, Lemmon diz que os bombeiros se estão a adaptar, como fazem sempre que se deparam com um novo desafio. “Esta é apenas outra situação em que temos de nos adaptar e superar. Vamos combater os incêndios da mesma forma – mas vamos combatê-los com dois metros de distância uns dos outros.

Fonte: https://www.natgeo.pt/

Sem comentários:

Publicar um comentário

________________________________________________________________

_______________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________