“Quero Aproximar os Bombeiros de Góis da População” - VIDA DE BOMBEIRO

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domingo, 7 de junho de 2020

“Quero Aproximar os Bombeiros de Góis da População”


Fernando Gonçalves, 46 anos, tornou-se conhecido como comandante dos Bombeiros Voluntários de Condeixa, onde esteve mais de três décadas. Com uma ligação familiar ao quartel condeixense, onde o pai e o tio foram comandantes, saiu em fevereiro para a corporação de Góis. Ponderou durante três meses. Podia ser o tempo de “arrumar as botas”, mas ganhou balanço e decidiu desafiar-se como comandante noutra casa. Logo no arranque enfrentou todas as alterações causadas pela pandemia de covid-19, mas não perdeu o rumo. Quer aproximar os Bombeiros da população e das instituições do concelho de Góis. Tomou agora posse, uma cerimónia que fora adiada e contou ontem com um número restrito de presenças, devido ao período de confinamento

Toma posse este domingo como comandante dos Bombeiros Voluntários de Góis, mas já passou uma grande prova de fogo com a pandemia…
Podemos dizer que sim. Ninguém estava à espera. Todos os planos que tínhamos inicialmente tiveram que ser revistos e alguns ficaram suspensos. Tivemos de preparar todo o corpo de bombeiros para a Covid-19. Agora já estamos a começar a retomar algumas ideias, nomeadamente a formação.

Como foram estes meses?
Houve uma estreita ligação entre os Bombeiros, a Câmara Municipal e o Delegado de Saúde. Todas as emergências que fazemos são consideradas suspeitas, ainda hoje usamos o equipamento de proteção individual completo. Adaptámo-nos, sempre que houve um caso suspeito, não perdemos a linha condutora e assim conseguimos conter. Fomos provavelmente um dos concelhos com mais pessoas em vigilância. Identificamos e corrigimos procedimentos nos lares em que não estavam a ser tomadas as medidas adequadas, fizemos formação, a autarquia disponibilizou muito material para que nada faltasse e tudo corresse bem. Fizemos também um trabalho de proximidade, a pedido da Câmara Municipal, por termos formação para abordar as pessoas, desinfetar, etc. , e estamos a entregar bens de primeira necessidade a diversas famílias que não se podem deslocar.

A proximidade com a população é um dos seus grandes objetivos como comandante…
Sim, mas tivemos de o implementar em dois dias… Quando surgiu o convite apresentei um projeto de três anos para em cinco começar a dar frutos. A principal linha é virar o corpo de Bombeiros para a população e aproximá-lo das instituições do concelho, apostar na nossa interajuda na primeira intervenção, e também formar o corpo de Bombeiros noutras áreas, dando-lhe outras valências.

As ocorrências no concelho são maioritariamente incêndios?
No verão, os incêndios sim, mas temos também muitas situações de emergência médica e estamos longe de tudo. Temos uma população muito envelhecida e há que trabalhar muito no sentido de implementar medidas de autoproteção junto dessa população, tentar reforçar o projeto Aldeias Seguras, porque as pessoas estão muito isoladas e, se houver um incêndio, temos muita dificuldade em chegar junto delas. A ideia é ir dando ferramentas para que uma primeira intervenção as pessoas possam atuar e defender-se.

Como é este corpo de bombeiros?
São cerca de 70 homens, entre Góis e a secção em Alvares, que eu quero que seja um só corpo. É uma corporação humilde, motivada, com vontade de aprender, de se modernizar e de fazer melhor.

Quais são as principais diferenças entre os dois concelhos?
A área de atuação. Em Condeixa, em cinco minutos tinha apoio diferenciado. Em Góis, a primeira hora é por nossa conta. É para isso que tenho de preparar estes homens, para que percebam que durante uma hora, 40 minutos são eles que têm que saber atuar e fazer a diferença.

Em Condeixa, o que foi o melhor?
Conseguir equipar e ter veículos para toda a tipologia de ocorrência e podermos atuar numa primeira intervenção sozinhos, com proteção individual e equipamentos para cada um inovar um pouco em todas as áreas, trazer equipamentos mais modernos para os operacionais poderem atuar. Mantivemos o número acima dos 100 operacionais, 125, com uma idade média entre os 25 a 30 anos.

E o pior?
Em termos de ocorrências, a que me marcou mais foi o acidente com os peregrinos, foi a experiência mais dolorosa e o verdadeiro teste à nossa capacidade, tanto operacional como de apoio psicológico. Também alguns incêndios, mas soubemos sempre lutar com segurança e hoje faço um balanço positivo porque em todos os grupos nunca perdemos ninguém.

De resto, há sempre processos que ficam pendentes, e às vezes bombeiros não conseguirem entender orientações tanto da direção como do comando e criarem turbulência.
Hoje em dia, é difícil manter os jovens motivados, porque eles exigem muito e quando não conseguimos dar resposta, numa conversa de café pode-se criar um movimento e uma pressão. 

Houve situações fáceis de resolver, outras não, e alguns não concordaram com decisões e saíram, o que eu lamento. Quando estamos num determinado posto, por nomeação ou eleitos, a sociedade portuguesa tem de saber respeitar. Gastei nessas questões energias que devia ter gasto noutro lado, sofri um bocadinho, mas penso que no futuro algumas pessoas que não entenderam, vão entender.

Fonte: As Beiras

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