Comunicações Ainda Falham em Pedrógão como em 2017 - VIDA DE BOMBEIRO

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quarta-feira, 17 de junho de 2020

Comunicações Ainda Falham em Pedrógão como em 2017



SIRESP continua sem cobrir várias zonas da região atingida pela tragédia, onde os telemóveis também não são alternativa. Governo contraria denúncias e acena com investimento feito.

Várias áreas da região de Pedrógão Grande, atingida pelos trágicos incêndios de 17 de junho de 2017, mantêm-se sem cobertura do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP). Apesar dessas falhas terem sido detetadas nos inquéritos àqueles fogos, em que morreram 66 pessoas e ficaram feridas 253, a situação pouco se alterou em três anos, segundo as forças de proteção civil da região.

Os especialistas alertam para a necessidade de corrigir este cenário, já que é nos 11 municípios afetados em 2017 que há maior risco de os fogos rurais serem "potencialmente mais intensos". A Altice, que fornece o SIRESP desde 2006, recusou dar explicações, com a justificação que vendeu ao Estado, em dezembro de 2019, a SIRESP SA, a quem cabe gerir a rede. Já o Governo contrariou as denúncias de mau funcionamento e alegou melhorias.

Jorge Martins, comandante dos Bombeiros de Figueiró dos Vinhos, um dos municípios atingidos que é visitado hoje de manhã pelo presidente da República, garante existirem "bastantes zonas e extensas sem SIRESP". "Reforçaram um pouco o sinal onde ele existia. O resto ficou igual, como em vale encavado".

"Há um sistema de repetidor numa viatura de comando, que nem todos têm, mas que não pode aceder a muitas das zonas-sombra e de floresta densa", adiantou, ao JN, revelando que em redor da Barragem da Bouçã nem o ROB [a rede analógica dos bombeiros que só permite uma conversa de cada vez] "funciona bem".

"Mesmo que o ROB funcionasse bem, a GNR não o podia usar e os telemóveis não têm rede. O SIRESP teve poucas melhorias", avançou Augusto Arnaud, comandante dos Bombeiros de Pedrógão Grande, que, por ser um dos arguidos num dos três processos judiciais que resultaram dos fogos, diz que "há de chegar a altura certa de explicar tudo em sede própria". A isto, o presidente da APROSOC - Associação de Proteção e Socorro, João Paulo Saraiva, junta "a inexistência de telefones fixos" e o facto de "o Governo ter entendido alhear-se de diversas recomendações" feitas na altura.

SITE EM BAIXO HÁ MESES

De acordo com Paulo Fernandes, que integrou a Comissão Técnica Independente (CTI) de 2017, que investigou estes incêndios, "se há problemas de comunicações, que fragilizam a deteção de incêndios e a primeira intervenção, basta vários fatores alinharem-se e repetem-se catástrofes como a de há três anos". "É uma região não excessivamente montanhosa e de contínuo vegetal muito grande, onde os incêndios são mais severos e se registou o primeiro megaincêndio nas estatísticas", disse.

Ao JN, o Ministério da Administração Interna (MAI) negou que haja "zonas extensas" sem rede e falou de uma "grande sobreposição de cobertura dos emissores existentes". O MAI sublinhou o investimento na transmissão por satélite e geradores de energia, para quebras da "transmissão terrestre" e "falha da rede da EDP".

Quanto ao facto de o site do SIRESP estar em baixo há meses, o Governo assegurou que está "em processo de remodelação" para se tornar "mais informativo e apelativo".

70% das 66 vítimas mortais estavam em fuga a partir das respetivas casas, na noite de 17 de junho de 2017. As suas habitações acabaram por não arder.

Fonte: JN

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