"Vi o Que Nunca Pensei Ver: Uma Criança na Fila para a Sopa" - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 5 de maio de 2020

"Vi o Que Nunca Pensei Ver: Uma Criança na Fila para a Sopa"


Os efeitos colaterais da covid-19 têm deixado marcas profundas, principalmente nas famílias atingidas pelo desemprego. Muitas contam agora os cêntimos para comer. Não fosse a Hope, um movimento solidário criado no Porto, no meio da pandemia, e a fome estaria a entrar em muitas casas.

Maria Coelho ajudou a fazer nascer a Hope (esperança, em português) poucos dias depois de se voluntariar para ajudar numa associação, no início de março. Sabia que o cenário ia ser mau, mas aos 42 anos viu o que nunca pensou ver. "Estava uma criança na fila para a sopa!", afirma emocionada. Percebeu que o impacto do vírus era maior do que imaginava. Criou um grupo nas redes sociais e, num ápice, os pedidos de ajuda surgiram. "Principalmente de pessoas da área da restauração e de serviços como a Uber", detalha Maria, lembrando que já perderam a conta às famílias que receberam cabazes com bens essenciais.

As casas com crianças são as que mais preocupam os voluntários da Hope. Sabem que os pais passam fome para dar às crianças. Gabriela prefere manter o anonimato. Só os vizinhos sabem que ela e o marido não têm como alimentar os filhos, de seis e de 14 anos. Está em Portugal há oito meses e ambos tinham emprego. A covid-19 roubou-lhes tudo.

"Os meninos já não comiam carne há algum tempo, mas o mais importante era ter arroz e feijão. O básico", conta Gabriela. O cabaz da Hope ajuda a família de quatro a matar a fome por uns dias e chega para dispensar algumas coisas à vizinha, que também ficou desempregada.

Os voluntários da Hope desdobram-se em esforços para angariar comida e roupas. Os pedidos não param de chegar e os donativos parecem não ser suficientes. "A quantidade de famílias sem rede de suporte é assustadora", afirma o voluntário Jorge Silva, enquanto carrega cabazes no carro. Fechou a padaria de que é dono e decidiu ajudar como pode.

RESPIRAR POR UNS DIAS

De Rio Tinto, Gondomar, chega a mensagem de Maria. É casada e tem um filho de oito anos. Está de baixa médica não remunerada e o marido desempregado. Vendiam sucata, mas como está tudo fechado, ficaram sem rendimento.

O dinheiro começou a esgotar-se e "já se via o fundo ao tacho", diz Maria, com uma simpatia que mascara a dor. Sem ter a quem recorrer porque também a família está em dificuldades, apenas a Hope lhe valeu. Pode respirar pelo menos durante uns dias.

"É incrível. As pessoas não têm nada, mas arranjam sempre o que dar em "troca"", diz Sofia Leite, também voluntária da Hope, ao sair da casa de Rosa Pinheiro onde moram sete pessoas. Ela, o marido, três filhos, a nora e o neto recém-nascido. Todos trabalhavam até aparecer a covid-19. Um dos filhos e o marido trabalham nas barraquinhas das festas populares, que foram canceladas, e os restantes foram dispensados.

Naquela casa, onde a luz e a água ficam por pagar para se conseguir comer, a solidariedade que se recebe é retribuída. O bebé não toma o leite que lhe deram na maternidade e, por isso, antes da despedida das voluntárias, o pai apressa-se a entregar um saco. "Dê a alguma mãe que precise, por favor!"

Fonte: JN

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