Bombeiros Estagiários a Combater Fogos, mas sem Seguro - VIDA DE BOMBEIRO

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Bombeiros Estagiários a Combater Fogos, mas sem Seguro


Formação dos bombeiros estagiários foi interrompida pela pandemia. Autorização especial permite-lhes ir para o terreno combater incêndios, mas seguro não está garantido.

Cerca de dois mil bombeiros de 3.ª — a categoria mais baixa — poderão este ano, excecionalmente, integrar o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) sem terminar a formação, que habitualmente dura 12 meses, e sem o exame final.

O despacho da Proteção Civil surge depois de uma proposta da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) que o presidente, Jaime Marta Soares, considera “consciente e segura”. Ao Jornal de Notícias — que avança a notícia esta quinta-feira — , Marta Soares diz que o facto de não haver uma previsão de data para a conclusão do curso poderia levar a “desistências”: “Se a questão é terem o canudo, asseguro que não teriam melhores. É uma questão de emergência. Eles irão acabar a formação”.

Mas a preocupação do setor vai mais além do “canudo”. Alertam para a falta de preparação dos cerca de dois mil estagiários no terreno, que pode colocá-los em risco, e ainda para o facto de não estarem abrangidos por seguros obrigatórios, mas apenas por apólices para formandos.

“Os seguros dos bombeiros são feitos pelas câmaras [municipais]. A ANEPC vai dar seguro a estas centenas de jovens já ou só depois de um perder a vida?”, questiona o líder da Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários (APBV) notando ainda que no despacho da Proteção Civil não há especificações sobre quantos estagiários integrarão cada equipa, se haverá um reforço na formação sobre fogos e como serão atribuídos os tutores a cada um deles. Além dos 12 meses de formação, habitualmente cada bombeiro tem ainda de estar mais 6 meses em ambiente de trabalho acompanhado.

Ainda que excecionalmente possam ir para o terreno sem ter concluído a formação, só depois de terminarem a prova final — que deve ser feita até dezembro — é que passarão a constar no Recenseamento Nacional de Bombeiros Portugueses. Até lá serão apenas “estagiários”.

Presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais apelida medida de “fantasmagórica” e culpa “asneira” da Liga Portuguesa de Bombeiros
Em reação ao Observador, à notícia avançada esta manhã, o presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais Fernando Curto não poupou críticas àquilo que considera ser uma “irresponsabilidade” que pode colocar a vida dos bombeiros em risco. Fernando Curto diz que esta medida é comparável à medida que quer equiparar bombeiros sapadores a bombeiros voluntários e que, as duas, são uma “irresponsabilidade”: “é só irresponsabilidade na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil”.

Espero que a secretária de Estado da Administração Interna, a senhora secretária de Estado que conhece o setor, não alinhe nas medidas da liga e do senhor presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses porque só diz asneiras, só faz asneiras neste setor. Mais uma vez avançou com uma medida fantasmagórica onde, mais uma vez, coloca em causa e desvaloriza os próprios bombeiros que podem intervir no teatro de operações”, disse Fernando Curto.

O presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais disse ainda que “os meios não justificam os fins” e que esta medida é de “uma leviandade muito grande”: “pelo facto de estarmos numa pandemia não podemos por num dispositivo, numa profissão de alto risco, numa situação de incêndio florestal. É de uma leviandade muito grande esta medida se ela for por diante. Poderá causar graves problemas aos próprios bombeiros e por em causa o que é a estrutura e organização operacional da Proteção Civil”.

“Não há riscos nenhuns acrescidos, é uma falsa questão. Têm tudo o que é necessário para ser bombeiros voluntários”, garante Jaime Marta Soares.

Em resposta a Fernando Curto, Jaime Marta Soares esclarece que são “233 bombeiros” que estão nesta situação e que todos tiveram aprovação nos vários módulos e cumpriram os três meses de período probatório.

“Já se trata de bombeiros só falta ter um canudo. Fizeram todos os módulos, o exame é feito em cada módulo, foram aprovados. Tiveram três meses de estágio probatório, absolutamente realizado. Tinham os pedidos de exame já realizado e só não foi dado o canudo. Estão em plenas condições, mesmo com cobertura de seguro, para que possam exercer a atividade como bombeiros”, esclarece o presidente da Liga Portuguesa de Bombeiros em declarações à Rádio Observador.

Segundo Marta Soares poderá dar-se o caso de que os bombeiros em questão nem sigam “para a primeira frente de combate” aos incêndios florestais, recordando que a distribuição dos elementos nos corpos de bombeiros cabe aos respetivos comandantes e que estes poderão optar por encaminhar os bombeiros para outras funções.

Questionado sobre se esta situação pode acarretar um risco acrescido para os bombeiros, Marta Soares nega. “Não há riscos nenhuns acrescidos, é uma falsa questão. Têm tudo o que é necessário para ser bombeiros voluntários, só estão à espera que passe este período para poder fazer o exame”, disse.

Fonte: Observador

Sem comentários:

Publicar um comentário

________________________________________________________________

________________________________________________________________

________________________________________________________________