Incêndios Sem Controlo Provocam o Caos na Austrália (fotos) - VIDA DE BOMBEIRO

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sábado, 4 de janeiro de 2020

Incêndios Sem Controlo Provocam o Caos na Austrália (fotos)


Com os fogos fora de controlo nas vastas regiões florestadas no estado de Nova Gales do Sul e muitos outros incêndios ativos em muitas outras regiões do país, como Queensland, Victoria ou a costa sul, a Austrália procura sobretudo nesta altura salvar das chamas as populações em risco, enquanto as altas temperaturas e o vento continuam a favorecer os incêndios que devastam hectares e hectares de florestas e de zonas residenciais, sem que os bombeiros possam fazer muito para conter a sua voragem.

Nas últimas horas, e numa corrida contra o tempo, já que as chamas avançavam a grande velocidade, a Marinha australiana teve de retirar cerca de mil pessoas que estavam isoladas na pequena cidade costeira de Mallacoota, na fronteira sul com o estado de Victoria. A operação exigiu a participação de dois navios, que transportaram as pessoas para Western Port, numa viagem ao longo da costa que demorou 16 horas, tendo as pessoas sido autorizadas a levar os seus animais de estimação e pouco mais.

Esta foi uma operação de emergência para resgatar um milhar de pessoas que estavam impossibilitadas de sair da cidade, porque o fogo as tinha ali isolado. Mas com toda a região em chamas e as previsões de altas temperaturas para este sábado, as autoridades determinaram na quinta-feira a evacuação compulsiva de uma faixa costeira de 250 quilómetros no estado de Nova Gales do Sul, entre a cidade de Batemans Bay, a norte, e a fronteira com o estado de Victoria, a sul, que abrange algumas dezenas de milhares de pessoas, entre residentes e veraneantes, para prevenir a possibilidade de uma catástrofe.

Nos estados de Victoria e Austrália do Sul, outras dezenas de milhares de pessoas foram igualmente aconselhadas pelas autoridades a deixar a região, na previsão de um fim de semana que pode transformar todas as zonas de florestas numa tocha, dado que as previsões meteorológicas apontam para a ocorrência de tempestades secas, que frequentemente ateiam fogos.

A escala sem precedentes dos incêndios que afetam a Austrália já contabiliza um rol de vítimas e de destruição que está a chocar o país e o mundo. Com as chamas a lavrar quase ininterruptamente desde o final de setembro por quase todo o país, à exceção do interior desértico, os fogos já causaram 20 mortos, dezenas de desaparecidos e reduziram a cinzas mais de 1300 habitações e uma vastidão de floresta, numa área que abrange seis milhões de hectares, algo como o território da Bélgica.

Na perspetiva de um sábado trágico, devido a temperaturas acima dos 40 graus Celsius previstas para quase todo o território, as autoridades decidiram pôr em marcha uma operação de evacuação que se estende aos três estados e que envolve quase cem mil pessoas.

Com apenas dois dias para realizar a gigantesca deslocação de pessoas, que o ministro dos Transportes de Nova Gales do Sul, Andrew Constance, considerou ser "a maior evacuação de sempre no território", as estradas para Camberra e Sydney acabaram por ficar atravancadas por longas filas de vários quilómetros. Mas o caos não está só nas estradas. Em muitas cidades, a água, os alimentos e a energia começam a faltar, e tudo isto dentro de densas nuvens de um fumo amarelo que já se espalhou a todo o país, e mais além, até à Nova Zelândia, com riscos para a saúde das populações.

Governo australiano criticado
Com o país a enfrentar o caos, o primeiro-ministro conservador Scott Morrison acaba por sair também chamuscado nesta crise, por ter reagido demasiado tarde à situação. Em plena crise dos incêndios, o chefe do governo australiano encontrava-se de férias no Havai, e só no segundo dia do ano, já com vítimas mortais contabilizadas, veio a público a falar ao país.

As críticas não tardaram, a começar pela decisão de se manterem os tradicionais festejos de Ano Novo em Sydney com fogo de artifício. Não foram poucas as vozes que se insurgiram contra essa festa, num momento em que vastas regiões do país estavam a ser destruídas pelo fogo.

O próprio primeiro-ministro acabou por sentir na pele a revolta das pessoas quando teve de interromper uma visita à cidade de Cobargo, em Nova Gales do Sul, onde duas pessoas morreram e dezenas de casas ficaram destruídas, no início desta semana, devido aos incêndios, na mesma altura em que o governante estava fora do país, a gozar férias. Scott Morrison foi recebido por uma população em revolta que não lhe poupou a hostilidade. "Não é bem-vindo" e "aqui não vai ter mais votos" foram algumas das frases que ouviu ali, acabando por se ir embora antes de completar a visita.

Reagindo mais tarde à receção hostil de que foi alvo em Cobargo, Scott Morrison preferiu desvalorizar o incidente, admitindo que "as pessoas estão frustradas". "Compreendo o que as pessoas estão a sentir, não tomo o caso pessoalmente", afirmou, sublinhando que isso "não o distrairá" do seu trabalho.

Sem sinais de que os incêndios possam abrandar nas próximas semanas - só a chuva, quando vier, poderá alterar substancialmente a situação, mas não há uma estimativa para isso acontecer -, o primeiro-ministro decidiu entretanto cancelar uma visita de Estado que tinha prevista para 13 de janeiro à Índia.

Vislumbre das alterações climáticas
A dimensão e a duração inéditas dos fogos levantou de imediato a questão da sua possível relação com as alterações climáticas, e a discussão está instalada, desde logo na própria Austrália. O perfil do fenómeno a que se está a assistir nesta altura coincide com as estimativas feitas pelos cientistas para o risco de incêndios florestais num mundo mais quente devido às alterações climáticas. Os ingredientes estão lá todos: os recordes de temperaturas numa Austrália cuja temperatura média é hoje superior em um grau ao que era há quatro ou cinco décadas e, nesse contexto, a seca severa e prolongada que acaba por ser o rastilho perfeito para estes incêndios incontroláveis.

"Não há dúvida de que já estamos perante um fenómeno de alterações climáticas", afirmou ao DN o investigador australiano Owen Price, do Centro de Gestão e Risco Ambiental da Universidade de Wollongong, no estado de Nova Gales do Sul.

Não é o único a dizê-lo. Muitos outros cientistas veem nesta problemática época de incêndios na Austrália uma preocupante antevisão do mundo mais quente do futuro, em que o risco de incêndios florestais aumenta substancialmente e a sua a época se alarga também à primavera, como está a suceder, e ao outono.

Neste contexto, a imagem do atual governo conservador australiano também sai muito beliscada por causa da sua política energética de apoio à lucrativa indústria de carvão australiana. Quando se torna já evidente que estes fogos têm a marca das alterações climáticas, há quem não hesite em chamar suicida à opção energética do atual governo australiano.

Sinais
Os fogos antes da época em que tradicionalmente ocorrem fazem antever também um verão mais difícil do que o normal. A perda de biodiversidade é uma das preocupações dos cientistas.

Fogos na primavera
Uma das características anómalas da presente época de incêndios na Austrália é de que começou muito antes de tempo. Os fogos são parte do ciclo natural das florestas na Austrália e ocorrem normalmente no verão, que no hemisfério sul decorre entre meados de dezembro e meados de março. Desta vez, no entanto, iniciaram-se no final de setembro, em plena primavera, e mantiveram-se desde então sistematicamente ativos, muitos deles incontroláveis e destruidores, devido à seca, às altas temperaturas e ao vento forte.

Verão preocupante
Foi nas primeiras semanas de dezembro, ainda na primavera no hemisfério sul, que a temperatura média do país, que é medida por mais de uma centena de estações meteorológicas distribuídas por todo o território, bateu por duas vezes o recorde absoluto, chegando aos 41 graus. Em seca extrema desde março, o país acabou por ficar à mercê das chamas e, com o verão ainda a começar, os especialistas temem que o pior ainda esteja para vir.

Perda de biodiversidade
Desta vez, além da habitual floresta de eucaliptos, de acácias e de outras espécies autóctones que estão bem adaptadas ao fogo e que posteriormente se regeneram com facilidade, ocorreram também incêndios devastadores nas florestas tropicais e subtropicais que existem no país, nomeadamente em Queensland. Os cientistas calculam que pelo menos meio milhão de animais, entre eles alguns emblemáticos, como os coalas, tenham morrido durante os incêndios e que algumas espécies, não só animais mas também da flora, possam estar irremediavelmente perdidas.

Fonte: Diário de Noticias 





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