Chuva Não Chegou para Apagar Fogos na Austrália e Há Um Novo Alerta para esta Semana - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Chuva Não Chegou para Apagar Fogos na Austrália e Há Um Novo Alerta para esta Semana


A chuva caiu no último domingo, até com alguma intensidade, em algumas das zonas que estão a ser afetadas pelos grandes incêndios florestais na Austrália, mas não foi o suficiente para apagar as chamas, que continuam a lavrar com intensidade, sobretudo nos estados de Nova Gales do Sul e de Victoria, nas costas leste e sul do país. E para a próxima quinta-feira, alerta o serviço de meteorologia australiano, regressam as temperaturas recorde, que fazem prever mais incêndios catastróficos.

Nesta segunda-feira, depois do caos que o país viveu no sábado e no domingo, com milhares de pessoas retiradas das suas casas e deslocadas no território, a água e os alimentos a escassearem já em algumas cidades e um fumo amarelado a contaminar o ar em toda aquela vasta região australiana, mais de 160 incêndios continuam a lavrar no país, apesar de a temperatura ter cedido um pouco.

A chuva de domingo acabou por não surtir o efeito desejado, não só pelas temperaturas altas, com os termómetros a chegarem aos 42 graus Celsius, mas também por causa da intensidade dos próprios fogos. "Devido ao calor intenso provocado pelos incêndios, a água da chuva evapora-se antes mesmo de chegar ao solo", explica José Cardoso Pereira, professor e investigador do Instituto Superior de Agronomia e especialista em cartografia e risco de incêndio, que tem estudado desde 1999 os fogos florestais australianos, e que está a seguir atentamente a situação naquele país.

Com os incêndios que continuam a fustigar as já muito martirizadas costas leste e sul, o país em estado de sítio, e um rasto de destruição que se salda até agora em 24 mortos confirmados, mais de 1500 casas ardidas, a que se juntam agora mais algumas centenas de quintas e propriedades rurais destruídas no último fim de semana, o primeiro-ministro, Scott Morrison, decidiu convocar neste domingo três mil militares na reserva para ajudarem no combate aos incêndios.

Os militares na reserva juntaram-se aos bombeiros exaustos, que não têm mãos a medir desde que os incêndios se iniciaram em setembro sem darem tréguas, na que é já considerada a época de incêndios mais grave de sempre, quer pela dimensão quer pela sua persistência: não abrandam há meses.

Os prejuízos até ao momento estão avaliados em cerca de 268 milhões de euros, com a área ardida a rondar nesta altura mais de oito milhões de hectares, uma área correspondente a duas vezes o território da Bélgica, o que é mais de seis vezes o que ardeu durante a mais recente - e catastrófica - época de incêndios na Amazónia.

Sufocada pelo fumo, a capital, Camberra, saltou para o topo da lista das cidades do mundo com pior qualidade do ar, com consequências que podem ser graves para a saúde da população.

Ajuda internacional multiplica-se
Já há ajuda internacional no terreno e mais bombeiros e militares de outros países estão, entretanto, de caminho da Austrália para ajudar no combate aos fogos. Os Estados Unidos e o Canadá já lá têm bombeiros a combater as chamas desde a semana passada e já enviaram também novos destacamentos, enquanto a Nova Zelândia, ali mais perto, decidiu mandar agora mais um contingente militar, para além dos 157 bombeiros que já lá estiveram a colaborar no combate aos incêndios.

O ministro da Defesa neozelandês, Ron Mark, anunciou o envio de militares do seu país afirmando que essa ajuda era urgente face aos fogos sem controlo que estão a pôr em risco a vida e as casas de milhares de pessoas no país vizinho. A própria Nova Zelândia está sentir na pele os efeitos dos fogos, com o fumo a viajar a longas distâncias e a ser levado até lá pelas correntes atmosféricas.

Três helicópteros e respetivas tripulações da Força Aérea neozelandesa, duas secções de engenharia militar de combate aos fogos e um grupo de comandos integram a ajuda militar do país vizinho à Austrália.

A ajuda internacional poderá, no entanto, não ficar por aqui, uma vez que outros países da região, como Singapura, Vanuatu e a Papua-Nova Guiné, já manifestaram a sua disponibilidade para enviar contingentes militares para ajudar no combate às chamas.

Manifestando a sua solidariedade, o presidente francês, Emanuel Macron, afirmou igualmente a disponibilidade do seu país para prestar ajuda no terreno.

Os prejuízos até ao momento estão avaliados em cerca de 268 milhões de euros

Perda de biodiversidade
Apesar de um caso isolado não permitir dizer que já se está perante um efeito das alterações climáticas, como sublinham os cientistas, o facto é que o que está a acontecer encaixa bem no que os modelos de previsão estimam para o mundo mais quente em que já vivemos, notam os mesmos cientistas.

A viver uma seca extrema desde março e com temperaturas altas a baterem recordes absolutos ainda na primavera, a Austrália está a braços com incêndios desde setembro.

"Já tivemos no passado outros fogos de grandes proporções, como o de 2009, em que num só dia morreram 173 pessoas e mais de três mil casas foram destruídas, mas os deste ano têm duas características novas: têm sido mais intensos e já duram há mais tempo", explica ao DN o investigador australiano Owen Price, do Centro de Gestão e Risco Ambiental da Universidade de Wollongong, no estado de Nova Gales do Sul.

O investigador não tem dúvidas, aliás, de que este já é um sinal das alterações climáticas. "A temperatura média da Austrália é hoje um grau superior ao que era há 50 anos, as secas estão mais intensas e, neste contexto, as épocas de incêndios estendem-se e intensificam-se, como preveem os modelos", sublinha.

Outra particularidade desta violenta época de incêndios na Austrália tem que ver com o tipo de floresta ardida. Desta vez já não se trata só de eucaliptos, acácias e de outras árvores congéneres autóctones, que estão bem adaptadas ao regime de fogo, regenerando-se posteriormente com relativa rapidez. Agora foram também das florestas tropicais e subtropicais, que arderam em grandes dimensões, ditando pesadas perdas em termos de biodiversidade.

"É possível que este tipo de floresta e a sua biodiversidade tenham dificuldade em recuperar destes incêndios", estima Owen Price, que está "interessado em estudar essa questão depois desta época de incêndios",como adianta.

Mas não se trata apenas das espécies arbóreas. A fauna autóctone também foi muito afetada, estimando-se que pelo menos meio milhão de animais tenham já perecido nos incêndios.

Uma das espécies muito atingidas é a dos coalas: pelo menos metade da sua população, estimada em 50 mil indivíduos, terá morrido desde o início dos incêndios que devastam a ilha santuário de Kangaroo, na costa sul da Austrália, o que põe em causa o futuro desta espécie, segundo os especialistas. A ilha santuário abriga, no entanto, muitas outras espécies nativas, cujo futuro pode também estar em risco.

O combate aos incêndios prossegue, agora com ajuda internacional, e com uma pequena folga da descida da temperatura, mas que não vai durar. Já para a próxima quinta-feira os meteorologistas estão a prever nova onda de calor. O pior, dizem, ainda pode estar para vir. É que o verão ainda só agora começou.

Fonte: DN

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