Mais Vozes que as Nozes... - VIDA DE BOMBEIRO

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quinta-feira, 9 de maio de 2019

Mais Vozes que as Nozes...


Os incêndios já começaram. Tudo o fazia prever. Entretanto, nos últimos tempos fez-se de tudo, inventaram-se peritos, grandes estratégias, muito dinheiro empregue não se sabe em quê mas o certo é que mais uma vez, como agora aconteceu, quando surgiram os incêndios quem lá esteve foram os bombeiros. Sobre tudo o resto nada se soube nem deixou rasto.

E eis que com os incêndios, sabe-se lá se por mero acaso, surgem comentários relativos à prestação dos bombeiros e dos seus comandantes.

Quem se expõe, por natureza, como os bombeiros, sabe que à partida está sujeita ao diz que disse, à maledicência, à verborreia dos muitos treinadores de bancada que por aí pululam, inclusive, pelos especialistas, peritos e académicos, à escolha, a quem se justificava, por maioria de razão, ter mais contenção nas palavras e nos juízos precipitados e fáceis.

Naturalmente que a esmagadora maioria das pessoas têm uma leitura muito positiva e respeitosa sobre a prestação dos bombeiros. Mas essa posição, muitas vezes, é reduzida ou desvalorizada perante os tonitruantes pensadores, especialistas e académicos.

E ainda estão frescas na memória dos bombeiros e das suas associações as acusações ínvias de vigarices na logística e em muitas outras coisas.

Às vezes é lícito questionarmo-nos se este país sabe tratar os seus bombeiros, se merece os grandes bombeiros que têm perante a verborreia com que são visados.

Os incêndios vão continuar a ser combatidos pelos bombeiros mas importa que também se saiba, entretanto, que prevenção foi feita, que limpezas foram feitas quando até o ICNF, que dizem ter passado a ser o dono disto tudo e responsável por tudo aquilo que foi anunciado, ao invés, dá um péssimo exemplo ao ser multado pela GNR por incumprimento das regras que estabeleceu e que pretende fazer cumprir a todos.

O quadro negro da floresta portuguesa há muito que é conhecido. E não foi preciso lamentar vidas humanas e muitos milhares de floresta ardida para que os bombeiros, há muitos, mesmo muitos anos antes tivessem alertado os poderes públicos para a catástrofe que estava eminente aos olhos de todos e a que, lamentavelmente, os últimos anos lhes deram razão total.

Não foi por serem ignorantes, desconhecerem a floresta, desconhecerem as técnicas de combate, desconhecerem o comportamento do fogo que repetidamente foram lançando os alertas. Fizeram-no, por que sabiam do que estavam a falar, fizeram-no por que tinham conhecimentos técnicos e muita experiência do terreno.

Nunca como nos últimos tempos a formação dos bombeiros e dos quadros de comando tem atingido padrões tão altamente qualificados. De tal forma que, inclusive, são só por si geradores de ainda maior exigência na formação, na instrução e no treino.

As nossas associações, por sua exclusiva responsabilidade, têm sido uma plataforma fundamental de formação com alto grau de exigência, e aquisição de conhecimentos em nada comparável a outras entidades.

Ao longo dos anos, não obstante as dificuldades com que se debatem, os bombeiros e os seus comandos buscaram sempre a melhor formação e conhecimentos para corresponderem com mais e melhor eficácia na prestação do socorro.

É uma exigência de sempre, que a história dos bombeiros bem retrata e testemunha ao longo dos tempos. E só não teve mais expressão no passado porque o Estado não cumpriu a sua missão nesse domínio e a própria Academia, diga-se as universidades, desvalorizaram.

Dizer o contrário é querer escamotear a realidade e dar uma versão da história dos bombeiros que não corresponde à verdade mas apenas à leitura distorcida e tendenciosa de alguns iluminados académicos. Particularmente daqueles que nos tempos recentes descobriram o filão de passar a fazer o diagnóstico, definir a terapêutica e cuidar de fornecer os medicamentos.

Por em causa as qualificações dos bombeiros e das suas chefias é, à partida, por em causa o percurso de muitos anos e muito estudo e formação de pessoas, estamos a falar de pessoas, que ao longo de anos deram o seu melhor, acumularam conhecimentos técnicos mas também outros porventura empíricos mas estruturados pela enorme experiência acumulada e o conhecimento directo dos vários terrenos e comportamentos até dos próprios elementos da natureza.

Não há autoridade moral, nem mesmo académica, que se possa arrogar a por em causa as qualificações dos bombeiros, particularmente em situações totalmente atípicas e que ultrapassam quaisquer que sejam os meios em presença.

E repito aquilo que muitas vezes tenho dito. Os Bombeiros não admitem ser o bode expiatório da demissão, ineficácia e incapacidade de uns quando, na verdade, nunca viram o peito às balas e, mesmo sabendo os riscos que correm, até a perda da própria vida, nunca deixam de lutar em prol da defesa das vidas e pertences do outro Homem seu irmão.

LBP

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