"A Morte sem Nome" Até Quando? - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 22 de abril de 2019

"A Morte sem Nome" Até Quando?


São assim, conhecemo-los de deambularem pelos cantos e ruas da cidade, no entanto o seu nome verdadeiro, idade ou até mesmo de familiares, são desconhecidos para qualquer cidadão que com eles se cruzem quotidianamente. O seu nome ou apelido é conhecido entre “eles”, sem abrigo.

Foi assim, que desapareceu mais um sem-abrigo da nossa cidade. Não foi notícia, nem manchete de qualquer jornal. São como o título do livro “A morte sem nome” de Santiago Nazarian, poucos assistiram ao sucedido.

Tínhamos cruzado com ele momentos antes da queda fatídica, na rua dos Ferreiros junto ao Bazar do Povo. Estava ali encostado. O nosso caminho, missa na Sé. Momentos depois vim até ao adro junto às escadas para o acesso à sacristia. Estava de costas, quando senti um estrondo. Inicialmente não me tinha apercebido, olhei para o ar, olhei para trás.

Ali estava o corpo inerte, com as calças pelos joelhos (eram largas), tinha saltado uns degraus, batido ainda nas costas de uma senhora, estatelando-se no chão com uma forte pancada com a cabeça. Inanimado, logo um dos funcionários da Sé ligou ao 112. O homem, ali permanecia inanimado, com o sangue a escorrer-lhe pela cabeça. O prognóstico não era o melhor. Pouco tempo depois do alerta, chegou uma ambulância da CVP, que socorreram este cidadão de forma exemplar e cuidadosa, arrancando para o hospital após os procedimentos normais destas situações.

Sábado, e perguntado pelo senhor, fui informado do triste desfecho da queda deste cidadão sem abrigo. Uma morte anónima de um cidadão, que nos deveria fazer pensar. Não deveríamos continuar a ser indiferentes a estas situações, tirando muitas vezes conclusões sobre estes cidadãos que um dia tiveram o infortúnio de cair na rua. É tempo de parar de fazer de conta, que não é nada connosco, porque o mais fácil para muitos nestas situações é apelidar de drogado, bêbado, vadio, não queres é fazer nada, sem sabermos o que levou estas pessoas a escolher as ruas para deambular de mão estendida e as estrelas como teto para dormir. É verdade, para mim e para as pessoas que assistiram morreu um sem nome, apesar de ter família algures.

Fonte: Na Hora
Fotos-DGomes



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