Governantes Sem Responsabilidades no Incêndio de Pedrogão Grande - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Governantes Sem Responsabilidades no Incêndio de Pedrogão Grande


MP só investigou as causas e o combate ao incêndio. Fora do inquérito ficou a mudança de mais de metade da estrutura da Proteção Civil a três meses da época crítica dos fogos e a falta de preparação dos nomeados pela tutela.

Na acusação do Ministério Público ao incêndio de Pedrógão Grande não haverá qualquer referência à responsabilidade dos governantes em exercício de funções à data do incêndio. 

Em causa poderiam estar a ex-ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, o ex-secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, – que tutelavam diretamente todas as entidades de combate ao incêndio – ou, em última instância, o primeiro-ministro. 

Não serão pedidas responsabilidades aos ex-membros do Executivo porque a investigação do MP teve como data de início o dia em que o incêndio deflagrou, 17 de junho.

No entanto, foram várias as decisões de Jorge Gomes, antes e durante o combate ao incêndio de Pedrógão, que provocaram polémica. De acordo com várias fontes da Proteção Civil ouvidas na altura pelo SOL, as decisões do governante tiveram influência no combate às chamas. 

Desde logo, três meses antes da época mais crítica de incêndios o ex-secretário de Estado mudou mais de metade da equipa de comandantes da Proteção Civil. Em abril, o governante nomeou 20 dos 36 comandantes distritais o que «condicionou a atividade» da ANPC, não só pela alteração feita na estrutura com pouca antecedência à época de incêndios mais crítica como também pela falta de experiência e de formação dos novos comandantes, apontaram várias fontes ao SOL na altura. 

É que muitos destes novos comandantes distritais não têm formação na área do combate aos incêndios ou da Proteção Civil, mas tinham, sim, ligações ao PS, o que levou muitos profissionais do setor ouvidos pelo SOL a dizerem que o ex-secretário de Estado fez uma «politização em toda a estrutura operacional». 

Além disso, várias fontes que mostraram ao SOL documentos apontam para a interferência do ex-secretário de Estado nos meios para o combate aos incêndios e no teatro das operações. De acordo com os documentos, desde janeiro de 2017, seis meses antes do incêndio de Pedrógão, a Proteção Civil alertou várias vezes a tutela para o nível extremo de severidade e pediu várias vezes o reforço de meios aéreos. Pedidos que não foram atendidos. 

Mais tarde, também o relatório dos peritos nomeados pelo Parlamento, liderados por João Guerreiro, referiram no relatório que Jorge Gomes recusou vários pedidos de reforço dos meios envolvidos no combate às chamas. 

O governante respondeu a dizer que não foi ouvido pelos peritos e que o documento tem dados «falsos». 

Fonte: Sol

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