Alerta Ignorado Leva a Tragédia de Pedrógão Grande - VIDA DE BOMBEIRO

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sábado, 5 de maio de 2018

Alerta Ignorado Leva a Tragédia de Pedrógão Grande


A Proteção Civil ignorou o aviso da Meteorologia, que devido ao calor colocou em alerta laranja o distrito de Leiria, dia 15 de junho do ano passado, e foi mantido no nível amarelo o estado de alerta especial do sistema de combate a fogos, quando se justificava o superior. E após o início do fogo em Pedrógão Grande, às 14h43 do dia 17, sucedeu-se um conjunto de erros, atrasos e falhas do comando com "danos gigantescos e irreparáveis", descreve o relatório da inspeção da própria Proteção Civil, agora divulgado pelo Ministério Público. Nesse fogo morreram 66 pessoas. 

O inquérito revela que o desrespeito pela meteorologia, que os especialistas concluíram ter tido, através de trovoadas e instabilidade convetiva, um papel muito relevante na origem e rápida expansão das chamas, foi tal que apenas às 19h44, cinco horas após o alerta, foi pedido o primeiro modelo de previsão ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Este já dava conta da mudança em breve do sentido do vento e do grande aumento da sua força. Isto aconteceu 20 minutos antes de o fogo chegar à ‘estrada da morte’. 

A inspeção revela que o primeiro posto de comando, rudimentar, apenas foi montado às 16h24 - "tardio e incipiente por falta de meios técnicos" - e às 18h41 foi feita a primeira setorização do que já se sabia ser um grande incêndio. E o posto foi, às 18h58, erradamente mudado para uma zona no caminho da "cabeça do fogo". 

O comando das operações não conseguiu fazer um planeamento do percurso do fogo, de forma a atacá-lo com eficácia, e teve como preocupação evitar que entrasse na vila de Pedrógão Grande. Perdeu-se a perceção de onde andava o fogo e às 20h10 qualquer controlo das chamas: "Uma calamidade." Antes dessa altura, já o combate às chamas era "reativo", "deixando de haver qualquer antecipação das operações". Nem houve plano de evacuação das aldeias. 

PORMENORES 
Sem noção do fogo 

Durante toda a noite e madrugada só se soube onde andava o fogo através dos pedidos de socorro, tal foi a falha do posto de comando. Só às 05h40 de dia 18 foi apresentada a primeira estratégia de ataque ao fogo, que não foi aplicada porque a prioridade era salvar aldeias. 

72 horas depois 

O posto de comando só começou a ficar mais organizado pelas 20h50 de dia 18. E cumpriu os deveres em pleno quando já tinham passado 72 horas desde o início do fogo. As chamas foram dadas como dominadas apenas às 16h00 de dia 21.

Fonte: Correio da manhã

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