Afinal, Porque Caiu a Ponte de Entre-os-Rios??? - VIDA DE BOMBEIRO

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Afinal, Porque Caiu a Ponte de Entre-os-Rios???


Você sabia que? 

A ponte Hintze Ribeiro foi construída entre 1884 e 1888, por uma empresa Belga, denominada por Société Anónyme e, curiosamente, a tecnologia utilizada para a sua construção naquela época, a técnica de contra balanço, foi precisamente a mesma que em 2002, passados 115 anos, foi utilizada para construir a atual ponte que a substituiu. (Foto1) e (Foto7).

A esta ponte foi dado o nome de Hintze Ribeiro, porque foi mandada construir por um político Monárquico Açoriano, (Foto2 ) à época Ministro das Obras Públicas, que mais tarde veio a ser 1º Ministro do Reinado do Rei D. Carlos I. 

Esta ponte foi construída para o tráfego de carros puxados a cavalo ou carros de bois, no entanto, em 1909 foi sujeita à maior cheia que há memória, em que a água esteve a 3,5 metros de chegar ao tabuleiro e ela não caiu! (Foto 3). 

Em 13 de março de 1919, por ocasião da revolta da Monarquia do Norte, o primeiro tabuleiro do lado de Castelo de Paiva, foi dinamitado, (Foto 4) o que levou a que durante 9 anos os concelhos de Penafiel e Castelo de Paiva ficassem incomunicáveis através desta, já que só em 1928 se procedeu à reconstrução do mesmo tabuleiro, mas a ponte não caiu! Em 1962, foi sujeita a outra grande cheia, em que a água esteve a 6 metros de chegar ao tabuleiro, (Foto5) 

Mas a ponte não caiu! 

Passado um século, passavam por cima dela camiões carregados de inertes com peso superior a 60 toneladas, mas ela não caiu! Nem nunca cairia, principalmente nos nossos tempos, se a mão do homem não a descalçasse, principalmente o pegão mais sensível, o que caiu, e mais sensível porquê?

É que segundo relatórios técnicos da época, todos os pegões desta ponte foram assentes em fraga granítica firme, menos o que caiu, já que se localizava numa zona onde a fraga granítica, se encontrava a grande profundidade, o levou a que os Engenheiros responsáveis pela construção optassem por assenta-lo em cima de estacaria de madeira de pinho, madeira esta, que submersa na água, tem uma duração que pode ser considerada quase eterna. Logo não era por aí que a ponte cairia, se o pegão não fosse descalçado. 

A imagem da (Foto 8 ), de 1925, e a imagem da ( Foto 9 ), de 1981, documentam o rebaixamento que o areal, denominado de areio de Boure sofreu, que contabilizando as fiadas de granito dos pegões, que ficaram a descoberto, que mediam cerca de 60 centímetros de altura, que comparando as imagem de uma foto com a outra, o rebaixamento foi de cerca de oito metros de altura, isto só até 1981.

Lamentavelmente, chegou a fatídica noite de 4 de março de 2001, em que o referido pegão, desprovido da resistência que lhe foi implementada, com uma força de água muito inferior às que já tinha sido sujeito e que são atrás referidas, teve que sucumbir e com ele levar 59 inocentes, que tiveram a infelicidade de estarem no local errado à hora errada. (Foto10)

Esta tragédia, como é óbvio, tanto me chocou a mim como a todo o cidadão do mundo que tenha o mínimo de sensibilidade, mas a mim em particular entristece-me por dois aspetos, um pelas vítimas, outro pela ligação que eu tinha aquela ponte pela afinidade, considerando os seguintes factos: O meu bisavó, Manuel José Afonso, natural da freguesia de Paderme, concelho de Melgaço. 

Depois de trabalhar na construção da ponte Gustave Eiffel, em Viana do Castelo, em 1883, vem trabalhar como chefe de obra para a construção da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios e conhece a minha bisavó. Maria da Rocha, natural de Sardoura, Castelo de Paiva, com quem casa em 1884, nascendo desse casamento o meu Avô Augusto Lisboa em 22 de Março de 1885.

Por sua vez, no mesmo ano, e pós ter trabalhado na mesma ponte, Gustave Eiffel, em Viana do Castelo, vem trabalhar como operário na construção da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, outro meu bisavô, José Martins Areses, natural da freguesia de Areosa, do concelho de Viana do Castelo, conheceu a minha bisavó, Rita de Jesus Araújo, natural de Entre-os-Rios com quem vem a casar, em 1910, e desse casamento nasce a minha Avó, Silvina Martins Areses, que casou com o meu Avô, Augusto Lisboa, acima referido. 

Desse casamento nasce, em 1911, o meu Pai Manuel Lisboa. 
Esta é uma das razões pela qual sinto paixão e saudade por aquela ponte, considerando que ela foi construída com a arte e suor de duas linhagens dos meus antepassados.

Entre-os-Rios, 17 de dezembro de 2017

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