Suspeito de Incêndios na Madeira Condenado a Três Anos de Prisão Efetiva VIDA DE BOMBEIRO: Opinião - Que Modelo de Sistema de Proteção e Socorro

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Opinião - Que Modelo de Sistema de Proteção e Socorro


Tendo os incêndios florestais diminuído, verifica-se uma diminuição das discussões sobre o sistema e o que falhou, o que é típico na nossa sociedade.

Olhando aos acontecimentos, verifico que as falhas são as mesmas do que tem vindo a ser pratica em anos passados, e comparativamente a aos incêndios de 2003 a 2005, em que a única diferença são os alvos a atingir, não esquecendo que no passado o alvo foram os bombeiros, que foram praticamente responsáveis dos acontecimentos que levaram a que o país estivesse a arder, o que justificou ao poder politico a alteração da estrutura com extinção do SNB, posteriormente SNBPC e agora ANPC.

Mas pelos vistos o sistema não muda, uma vez que agora não são os bombeiros os responsáveis (pelos menos pelo que se houve na comunicação social) mas sim a própria estrutura da ANPC.

Voltando as falhas, e comparando-as com o passado, e como já escrevia atrás, estas são praticamente as mesmas, olhando as queixas que surgem, ou seja: descoordenação de meios, meios insuficientes em alguns TO, alimentação deficitária, etc.. mas também verifica-se que hoje, em virtude dos acontecimentos verificamos um combate a medo, em que a politica em muitos casos é da espera do incêndio, algo que não posso condenar face a inexperiência de muitos quadros de comando, e mesmo de alguma juventude pouco treinada que integram hoje o DECIF, em resultado do abandono da estrutura de bombeiros mais antigos, devido ao atual descontentamento generalizado.

Assim, fica a pergunta: que modelo de sistema devemos ter, e se este está errado ou não?

Na minha parca opinião o problema não esta no modelo que se encontra legislado, que pode ser melhorado, mas sim da sua não aplicação pelos diversos elementos da estrutura, começando nos próprios comandantes de Corpos de Bombeiros, que em alguns casos continuam, com um conceito de que esta é a ”minha quinta” esquecendo-se que a gestão de ocorrências cada vez mais deve ser vista num conceito alargado.

Por outro lado verifica-se a o poder local, principalmente das Câmara Municipais pela não aplicação das leis, no que concerne principalmente a limpeza do espaço florestal e outras, mas também pela generalidade dos casos praticamente não darem apoios aos Corpos de Bombeiros do seu concelho, mas servindo-se do mediatismo das televisões, principalmente este ano, em que estamos em eleições, culpando a estrutura da ANPC pelas falhas, em que muitas delas são corretamente atribuídas, mas muitas são diretamente da sua responsabilidade como autarcas.

Este jogo de empurra de responsabilidades e culpados somente resulta de estarmos perante um modelo centralizado na ANPC, que esta assume-se como a única com capacidade de gestão destas ocorrências, eliminado praticamente o nível municipal, assim, julgo que dever-se-ia rever o modelo neste sentido recuperando-se parte do anterior em que a gestão de recursos era realizada ao nível de zonas operacionais, através dos CCO locais, que agora forma substituídos selos CDOS de nível distrital, ou seja, julgo que seria mais eficaz uma estrutura de gestão municipal, ou supra municipal, da responsabilidade da Câmara ou Câmaras Municipais envolvidas, do que o atual modelo e gestão central/distrital, através dos CDOS.

Neste modelo de gestão e coordenação de nível municipal faz todo o sentido na dependência operacional da estrutura da ANPC a existência de um Comandante de Municipal de Bombeiros ou Supramunicipal, quando estivessem envolvidos mais de que concelho, permitindo assim um comando mais eficaz das operações de socorro, fossem elas incêndios florestais ou outras, ficando a estrutura nacional reservada a ocorrências que tivessem dimensões ao nível de uma operação de Proteção Civil, e não de socorro.

Desta forma permitia-se uma gestão mais equilibrada dos meios bem como uma identificação mais adequada das necessidades, bem como, o poder autartico era obrigado a envolver-se na organização da proteção e socorro, que é uma responsabilidade diretamente sua.

Esta é uma mera opinião.

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