Assiste-nos o Direito e a Responsabilidade - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Assiste-nos o Direito e a Responsabilidade

Cada ano, em balanço de cada Dispositivo Especial de Combate a IncĂȘndios Florestais (DECIF) anual e perspetiva para o seguinte, a Liga dos Bombeiros Portugueses tem reiteradamente chamado a atenção para a necessidade de adequar esse modelo Ă  realidade dos Bombeiros e das AssociaçÔes, introduzindo-lhe importantes mudanças, incluindo a ĂĄrea financeira.

Em nosso entender, é fundamental acreditar e lutar por mudanças nesse Dispositivo, não por mera cosmética, mas para forma decidida serem encaradas as questÔes estruturais que o enfermam e porque acreditamos que o próprio modelo sazonal que cobre, e nos termos em que se apresenta, estå esgotado.

Em moção aprovada por unanimidade e aclamação no Conselho Nacional da LBP realizado na Meda em 25 de março Ășltimo, mais uma vez, ficaram claramente expressas as nossas preocupaçÔes. Por um lado, preocupaçÔes relativamente Ă  garantia da resposta que os Bombeiros Portugueses sempre deram e querem continuar a dar, ao contrĂĄrio do que pretenderam fazer crer vozes maliciosas, ao deturpar o que na realidade a LBP e eu prĂłprio temos dito nessa matĂ©ria.

Por outro lado, as nossas preocupaçÔes orientam-se tambĂ©m para a sustentabilidade da prĂłpria resposta a dar pelos bombeiros com meios que outrem tem a obrigação de lhes garantir e que ultrapassam os mais de 4 meses de abrangĂȘncia do DECIF.

Como refere a moção, tambĂ©m publicada na Ă­ntegra neste jornal, a LBP recolheu contributos das FederaçÔes, das AssociaçÔes e Corpos de Bombeiros que permitiram congregar no documento tambĂ©m aprovado no Conselho Nacional, designado por “DECIF 2016 propostas para 2017”, uma visĂŁo abrangente de todas as dinĂąmicas envolventes ao dispositivo especial de combate a incĂȘndios florestais.

O documento em referĂȘncia, para alĂ©m de identificar os constrangimentos, teve a atenção de evidenciar os aspetos positivos e, acima de tudo, propor um conjunto de medidas que permitirĂŁo uma participação cada vez mais efetiva de todos os agentes, com especial relevĂąncia para os Bombeiros Portugueses.

A moção é clara e em diferentes momentos temos reforçado que, cientes das suas responsabilidades, nunca os Bombeiros Portugueses deixarão de exercer a sua missão com todo o profissionalismo e dedicação.

Como temos repetidamente defendido, e não deixaremos de o fazer, pretendemos apenas que os Bombeiros Portugueses sejam tratados e reconhecidos pela tutela à dimensão do serviço que prestam à sociedade.

O Conselho Nacional da Meda, como disse, analisou rigorosamente o documento “DECIF 2016 propostas para 2017”, como base orientadora das propostas a apresentar Ă  tutela com vista Ă  melhoria contĂ­nua do inestimĂĄvel serviço prestado pelos Bombeiros aos cidadĂŁos e ao PaĂ­s.

Mas, caso as linhas orientadoras e as propostas apresentadas no documento nĂŁo venham a ser acolhidas os Bombeiros Portugueses decidiram ali tambĂ©m, mesmo assim, afirmar ao PaĂ­s e ao Governo que mantĂ©m toda a disponibilidade para instalação de um dispositivo especial de combate a incĂȘndios florestais, enquanto instrumento considerado imprescindĂ­vel para o socorro Ă s populaçÔes.

Por outro lado, como também ficou definido na moção aprovada na Meda, os Bombeiros decidiram manter as suas responsabilidades no cumprimento integral da sua missão dentro da sua årea de atuação própria, no ùmbito de um Dispositivo Nacional de Proteção e Socorro (DNPS).

Sublinhe-se que hĂĄ muito temos defendido e apontado a inevitabilidade do DNPS, a vigorar entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de cada ano, com a correspondente componente financeira.

Tratando-se de disponibilizar para fora da årea de atuação própria de cada um dos corpos de bombeiros, os meios devem ser protocolados no ùmbito do mesmo DNPS.

E, do mesmo modo, sendo solicitados meios em reforço para executar missĂ”es fora da ĂĄrea de atuação prĂłpria de cada corpo de bombeiros, os mesmos deverĂŁo ser contratualizados enquanto “Prestação complementar de serviço de socorro ao DECIF/DNPS”, segundo valores a ser acordados pela Liga dos Bombeiros Portugueses junto da tutela.

E, conforme ficou também claramente expresso na mesma Moção, se as propostas apresentadas pela LBP não merecerem o devido enquadramento no DECIF 2017 por parte da ANPC os Bombeiros Portugueses assumirão as opçÔes consentùneas com os seus direitos.

Hå muito que pugnamos por regras claras, consistentes e sustentåveis que regulem a relação entre a tutela e os Bombeiros Portugueses. A Moção em causa, não só define mais uma vez isso, como também reforça a posição da própria LBP nesse sentido.

Assiste-nos o direito e a responsabilidade de o fazer, por respeito para com os Bombeiros Portugueses e respeito para com a sociedade em geral, as suas comunidades locais, de quem cuidam sempre, na prestação do socorro e na salvaguarda do seu bem-estar.

LBP

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