Mais uma época de calor, e mais uma época de incêndios florestais ou rurais como lhes quiserem chamar.
A muito que se houve o discurso, no meu entender demagógico, que é necessário investir na prevenção, algo que não concordo uma vez que nos últimos anos assistimos a criação de sapadores florestais, vigias florestais, GIPS, SEPNA da GNR, mas no entanto cada vez que o tempo se torna mais quente e seco a história repete-se.
O que falhou então?
Penso que existem um conjunto de falhas que vão pela adoção de medidas, em primeiro lugar legislativas, que não cumprem os eu objetivo e mais uma vez neste campo o poder politico optou pele a penalização, do que pela adoção de práticas de proximidade e com intervenção do sistema publico na resolução do problema (é para isso que pagamos impostos), vejamos este exemplo:
Todo o proprietário este obrigado a manter as suas propriedades limpas, o que por si seria opimo, no entanto, esqueceram-se que a distribuição do território florestal ou rural, esta assente em pequenas propriedades privadas em que os seus proprietários são na generalidade idosos, que herdaram as suas terras, e que vivem na sua maioria de uma reforma miserável que é na sua generalidade consumida nos medicamentos que tem de tomar ara combater as maleitas do próprio envelhecimento.
Assim, fica a pergunta: como podem estas pessoas suportar a limpeza das suas propriedades, quando o seu rendimento não lhes chega para terem para sobreviverem e em que o custo médio para limpar um hectare ultrapassa os 200€?
Se pensarmos que o estado foi o principal responsável pelo abandono da prática agrícola, e se associarmos este facto a insuficiência económica da generalidade dos proprietários percebemos que a legislação não pode ser cumprida nem agora nem nunca.
Então porque as autarquias não assumem elas estas medidas?
Algumas virão logo com a resposta na ponta da língua, que até possuem equipas de sapadores florestais ou que não podem intervir na propriedade privada. Mas serão que é verdade? Realmente em alguns casos verifica-se que estas existem, nem que seja para dar uma imagem de preocupação que não corresponde a realidade.
E porque as autarquias não assumem a limpeza dos matos, principalmente nas zonas de maior risco?
A resposta vem logo que essa é uma responsabilidade do proprietário, conforme a lei o determina, e assim ficamos na mesma.
Se as autarquias, em conjunto com as juntas de freguesia, estas últimas porque conhecem os seus habitantes e as suas dificuldades, efetuassem a limpeza das zonas de maior risco, principalmente aquelas em que está identificada a insuficiência económica do proprietário, permitiria uma melhoria significativa da atual situação, e realmente estaríamos a adotar um comportamento preventivo que minimizaria o impacto dos incêndios, bem como seria mais barato do que os milhões investidos no combate aos mesmos, com o risco de perdas humanas que assistimos.
Assim, fica a pergunta final: porque não o fazem?
Nelson Teixeira Batista

Sem comentários:
Enviar um comentário