Nos últimos 3 anos, foi feito um grande esforço nacional para proporcionar uma significativa melhoria, bem merecida, da proteção individual dos operacionais bombeiros e bombeiras, no combate aos incêndios florestais.
Este esforço teve como objetivo que todos e cada um pudessem vestir e usar os equipamentos com características adequadas para que a exposição durante o combate, especialmente face ao calor e às chamas, fosse feita de forma MAIS SEGURA.
Em nenhum país, ou organização, existe um equipamento de proteção individual (EPI), que por si só garanta total segurança operacional. Em acréscimo ao EPI, é o Vosso comportamento individual e em equipa que irá garantir a Vossa segurança. As queimaduras são uma das lesões mais graves que podem ocorrer e, por esse motivo, deve ser dada especial atenção aos limites de segurança das peças que protegem a maior parte do corpo (dólman e calças). Sendo ultrapassados esses limites, o que facilmente poderá acontecer por excesso de confiança ou défice de atenção, de nada serve ter o melhor EPI possível.
Desde há muitos anos, o calor sentido diretamente na pele de cada bombeiro era o que o alertava para se afastar do perigo de sofrer queimaduras. Atualmente, o tecido do dólman e das calças tem uma elevada capacidade de absorver o calor radiado pelas chamas, não o deixando passar para o seu interior. Mas ao absorver esse calor, aumenta a sua temperatura até valores que, quando sentidos, já pode ter queimado a pele do utilizador, se sujeita a essa temperatura extrema durante demasiado tempo. O próprio suor do bombeiro, perante a temperatura extrema pode facilmente atingir temperaturas que provoquem queimaduras com graves consequências.
- Maior e melhor proteção, proporcionada pelos novos EPI, não pode, nem deve, ser entendido por todos nós como maior capacidade para chegar mais perto e permanecer mais tempo junto das chamas.
- Maior e melhor proteção não pode, nem deve, significar maior disponibilidade para suportar mais calor e aumentar o risco de acidente pessoal.
- Maior e melhor proteção só pode, e só deve, servir para adotar os comportamentos seguros que antes já praticavam, mas com um EPI com maior segurança e maior conforto.
O objetivo de proporcionar aos nossos bombeiros e bombeiras melhores condições de proteção, só será conseguido se o EPI não for utilizado para lá do seu limite de segurança, constituindo um fator de risco superior à sua não utilização, por aumentar a falsa percepção de segurança operacional.
Recomenda-se assim que:
1. As Equipas de Combate façam turnos mais curtos na frente de fogo, rodando entre os colegas de equipa as funções mais desgastantes.
2. Procurem aliviar a temperatura a que o vosso EPI esteve sujeito, diminuindo a vossa transpiração e consequente risco de queimadura por exposição a temperaturas extremas.
3. Dentro das disponibilidades possíveis, hidratem-se com frequência, antes, durante e depois do combate.
4. Vigiem frequentemente as zonas do corpo expostas a um maior fluxo de calor, quer seja da radiação das chamas, quer seja calor convectivo da zona queimada sobre a qual podem ter que estar a trabalhar.
Sabemos que podemos contar com a eficácia de todos os bombeiros e bombeiras do país em prol do DECIF, mas queremos acima de tudo que o vosso esforço e empenho estejam associados a comportamentos seguros e saudáveis!
Direção Nacional de Bombeiros (ANPC)
Sem comentários:
Enviar um comentário