Transporte de Doentes: Quem Pediu Foi Quem Tirou - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Transporte de Doentes: Quem Pediu Foi Quem Tirou


Os mais velhos lembram-se de quando começámos a sério a transportar doentes para a fisioterapia, para outras situações, consultas, tratamentos e tantas outras coisas. Começámos por que alguém pediu aos bombeiros para o fazer. Não íamos meter-nos nisso sem que alguém nos dissesse e pedisse para isso. Foram os governantes de então, claro. Tinham prometido às pessoas e só os bombeiros é que podiam fazer isso.

Começou a haver cada vez mais pedidos, tivemos que gastar em novas viaturas em empregar mais pessoal para satisfazer os pedidos que não paravam de crescer. Por um lado as receitas obviamente que davam jeito mas também era uma forma de estarmos mais próximos das populações. Essas receitas serviam também para tapar os buracos que tínhamos, desde logo as poucas verbas que o Estado mandava doutros serviços que também prestávamos e da falta de apoio de muitas autarquias. Foi assim durante muito tempo e essa situação de tapar o fundo foi durando.

Um dia, quem nos tinha pedido para montar o serviço de transporte de doentes foi quem veio dizer que afinal já não era bem assim e que ia haver empresas para fazer concorrência aos bombeiros. Assim, quem nos pediu afinal estava agora a tirar. E, já nessa altura nunca ouvi explicação capaz para o facto. Dizia-se que a Europa obrigava a que fizéssemos isso. Na Europa de facto já havia empresas privadas a transportar doentes, onde os bombeiros não faziam isso e muito menos os bombeiros voluntários.

Mas cá foi sempre diferente. Quando começámos, não tinham outra alternativa e achavam que dando o trabalho do transporte de doentes aos bombeiros no fundo também deixavam de estar obrigados a reforçar outros apoios pelas tarefas que também deviam implicar apoios a sério. Foi assim, ou estou enganado?!

Todos sabemos o que veio a seguir com as empresas a entrar em todo o lado, com os bombeiros a tentar reagir mas a não poder descurar outras tarefas, nomeadamente o socorro, com que as empresas não se tinham que preocupar.

Depois vieram outros tempos ainda piores a que chamaram austeridade e iam rebentando com os bombeiros que, como faz a Fénix, lá se foram levantando como podiam. Mas as contas do passado com quem pediu e foi quem tirou ficaram sempre por fazer.

Se um dia a Europa disser por exemplo que os jogos sociais têm que deixar de ser exclusivo da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa como vão fazer? Estou em crer que não aceitam. Como aliás deviam ter feito em relação aos bombeiros quando supostamente lhes disseram que teria que ser aberto o transporte de doentes ao mercado. Se a importância das receitas dos jogos sociais é importante para as boas causas, as dos transportes dos doentes também serviam para os bombeiros custearem muitas outras missões.

Mas aqui ninguém se chegou à frente, e quem nos pediu para transportar doentes foi quem nos tirou.

Bombeiro "Manel"
LBP

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