O Ministério Público quer saber se a mulher que misturou ansiolíticos na comida que serviu ao marido e incendiou o carro onde o deixou a dormir, em agosto do ano passado, em Alcobaça, tinha consciência da gravidade do que estava a fazer.
Carla Branco, de 39 anos, está indiciada dos crimes de homicídio qualificado na forma tentada, incêndio e condução sem carta, mas o processo ainda está em fase de inquérito, já que o Ministério Público aguarda os resultados de uma perícia psiquiátrica que visa "determinar a (in)imputabilidade da arguida para a prática daqueles factos". A perícia foi pedida em fevereiro e teve início na semana passada, por peritos do Gabinete Médico Legal e Forense do Oeste, em Torres Vedras.
O crime não culminou em morte porque a vítima, David Bento, de 39 anos, acordou com os estalidos causados pelas chamas e conseguiu fugir do carro, salvando-se. O fogo começou no tecido do banco do passageiro, que foi incendiado "de forma intencional" com o isqueiro do carro. Quando as chamas eclodiram, David Bento já tinha adormecido, sentado no banco do condutor, sob efeito dos comprimidos que a mulher desfez e misturou na comida servida ao jantar.
Foram encontrados vestígios no prato e apreendida no quarto uma embalagem de um medicamento ansiolítico, usado como sedativo. A vítima foi assistida no Hospital, onde fez análises ao sangue, que detetaram a presença do ansiolítico, bem como de monóxido de carbono resultante da inalação de fumos. Após deixar o marido adormecido no carro a arder, Carla Branco foi para casa trocar de roupa. Acabou detida.
Fonte: CM
Foto: Gonçalo Ermida

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