Manuel e Júlia viviam numa casa térrea sem eletricidade na Cova da Moura, Amadora. E terá sido uma vela deixada acesa que ateou as chamas ao lixo acumulado até ao tecto.
O casal, de 74 e 72 anos, morreu esta quarta-feira intoxicado por fumo. Os vizinhos ainda os tentaram salvar, mas os montes de resíduos, sacos, roupas e objetos impediram o acesso ao interior e o socorro rápido. "Há muitos anos que tentamos apoiar o casal para arranjar a casa e fazer uma limpeza. Mas nunca lá entrei porque ela não permitia. Até tinha muitos sacos na porta para ninguém entrar", explicou ao CM Maria Rodrigues, vizinha do casal.
Manuel Faustino trabalhou na construção civil e estava doente há vários anos. Júlia Santos fazia limpezas em prédios. Um deles seria acumulador compulsivo, um ‘colecionador de lixo’. "Havia meio metro entre o tecto e os montes de lixo", descreveu Mário Conde, comandante dos bombeiros da Amadora. O alerta foi às 04h05. Uma vizinha de 55 anos ficou intoxicada pelo fumo ao tentar resgatar as vítimas e foi assistida.
"O incêndio foi de fácil extinção porque estava em fase inicial. A grande dificuldade foi entrar. A obstrução das portas e janelas pelo lixo era total", afirmou Mário Conde. As chamas estavam extintas às 04h37 e os óbitos foram declarados no local. A Proteção Civil da Amadora afirma não ter sido alertada para a situação do casal cabo-verdiano, que tem dois filhos a viver fora do bairro. Foram retiradas da casa cinco carrinhas de lixo. A PJ investiga as causas do fogo.
Fonte: CM

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