Opinião: Bombeiros – Viver Sempre em Cenário de Crise - VIDA DE BOMBEIRO

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Opinião: Bombeiros – Viver Sempre em Cenário de Crise

Renato Alves – Presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Camarate -  Secretário Geral do Secretariado das Associações de Bombeiros do Concelho de Loures.

Foi-me pedido para escrever sobre o associativismo, e, no sentido de dar continuidade às  anteriores e brilhantes reflexões dos Presidentes das Associações de Bombeiros de Loures, Fanhões e Zambujal, vou tentar dissertar também sobre “As Associações de Bombeiros Voluntários”, e também sobre a associação de bombeiros de que faço parte “Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Camarate”.

Concordando totalmente com o que já foi dito sobre o assunto, até porque as realidades das Associações de Bombeiros são muito coincidentes, vou tentar explanar um pouco a minha vivência como presidente da Direção desta prestigiada associação.

E vou começar por dizer que ao contrário do que muitos pensam, não é fácil, nunca foi fácil gerir os destinos desta Associação de Bombeiros.

O objectivo que levou à criação das associações de bombeiros – o socorro às populações - reveste-se de grande responsabilidade, pode-se dizer mesmo, responsabilidade civil e criminal, sem nada se receber em troca, e os meios para o cumprimento dessas obrigações sempre foram escassos para o cumprimento das missões que estão cometidas aos bombeiros e aos dirigentes das associações de bombeiros.

As obrigações e responsabilidades que advêm de ser bombeiro ou dirigente de uma associação de bombeiros, acompanhadas da realidade de vida da população em geral, do desemprego, da emigração, da crise, o do alheamento das pessoas, da inadequação da legislação à realidade, de entre outras vicissitudes, fez acentuar os escassos recursos humanos existentes, agudizando a crise do voluntariado e o problema no recrutamento de bombeiros voluntários e recrutamento de dirigentes.
Não fora a carolice, a boa vontade e a assunção do risco, de alguns diretores, comandantes e bombeiros em geral, que acreditaram sempre num futuro melhor para a associação, as portas do quartel teriam fechado por diversos momentos da sua história.

Os bombeiros sempre viveram num cenário de crise, não tendo memória de momentos de grande folga, existiram períodos melhores, de alguma folga, mas com maior ou menor intensidade, sempre existiram dificuldades para pagar os vencimentos aos funcionários e à Segurança Social, dificuldades para pagar, a electricidade, a água, o combustível, dificuldades para adquirir os fardamentos para os bombeiros, dificuldades para adquirir equipamentos de protecção individual para os bombeiros e para aquisição dos veículos necessários á prossecução dos fins e às exigências da legislação, dificuldades essas que em nada abona ao voluntariado.

O presente cada vez é mais exigente para os bombeiros e para os dirigentes.

Às exigências impostas, que devemos salutar, já que tudo é pouco quando está em jogo a vida e o socorro das populações, não é correspondido com o chamado pacote financeiro, nem a dotação de mais meios aos corpos de bombeiros.

O Estado transfere mensalmente uma verba que podemos dizer não chega para pagar os descontos dos funcionários para a Segurança Social. E, em relação ao Poder Central ficamos por aqui! Foram criadas muitas expectativas em relação ao financiamento dos Corpos de Bombeiros, mas como se costuma dizer na gíria “a montanha.….”.

No meu Concelho a Câmara Municipal sempre foi e continua a ser a entidade que mais apoia as associações de bombeiros.
É graças a este apoio, traduzido em programas de apoio às Associações de Bombeiros e aos seus Corpos de Bombeiros, que é possível a operacionalidade dos nossos bombeiros e manter as portas do quartel, abertas vinte e quatro horas por dia, todos os dias do ano.

A realidade a que assisto diariamente e posso testemunhar é que todos os apoios oficiais são manifestamente insuficientes para a gestão normal de qualquer associação, em especial a gestão relacionada com os bombeiros. 

Todas as outras necessidades são suprimidas com muito sacrifício, pelo engenho e a arte dos directores em sintonia com o comando, com os bombeiros e sócios, que se obrigam a manter todo um vasto número de actividades sociais e todos os dias lançam mãos à obra proporcionando: 

- O funcionamento e a operacionalidade do Corpo de Bombeiros;
- A Criação e manutenção da fanfarra que veio proporcionar o aumento do número de voluntários e a vivência de grandes momentos de alegria e convívio entre todos;
- A abertura de uma classe de dança, que veio dinamizar a parte associativa e cultural;
- A manutenção de uma classe de Kikboxing e de manutenção que proporciona a prática desportiva e da manutenção física para os sócios;
- Diversas festas, festivais e eventos promovidos pelos bombeiros direcionados à população – crianças, jovens, adultos e à população sénior;

Tudo isto complementado com um sem fim de acções e com a promoção de contactos com as empresas e com os empresários locais, tem vindo a ser possível aliviar um pouco a “carga” ou o “fardo” da gestão da associação que tenho a honra de presidir.

Para terminar uma palavra de esperança, a convicção de que a seu tempo, a causa Nobre dos Bombeiros Voluntários irá ser olhada de forma diferente por todos, e, em especial, por quem de direito e que no futuro as Associações de Bombeiros de Portugal venham a ser reconhecidas e acarinhadas de facto como um bem precioso e a preservar!

Votos de Boas Festas para Todos!
Renato Alves

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