Com data de 1 de Setembro, saiu mais um Despacho regulador dos cursos de formação dos bombeiros voluntários portugueses, integrados em Corpos de Bombeiros, pertencentes a associações ou a municípios.
Desde que a tutela agarrou a formação dos bombeiros como uma sua preocupação, em 2008, já vamos no 4º Despacho.
Em 7 anos, 4 Despachos sobre o mesmo assunto.
Desses 4 Despachos, três são desta legislatura e deste governo, um de 2012, outro de 2014, e este último, do ano que corre.
Portugal é conhecido por ser dos países que mais legislação produz, mas também dos que menos a cumpre e menos a faz cumprir.
Não é grande certificado, mas enfim, é o que há e cada mostra o que tem.
Não questiono a bondade e a necessidade das alterações consubstanciadas neste diploma.
O que questiono é a facilidade com que se produzem normativos à quase razão de 1 por ano, mal comparado, como quem faz farturas, em dia de romaria ou vende "hot dogs", em concerto "rap".
A estabilidade é uma regra de ouro no ensino/formação, estabilidade no corpo de professores/formadores, nos modelos de aprendizagem, nas unidades curriculares, nos conteúdos programáticos, nas práticas pedagógicas, nos processos avaliativos.
E daí não há que fugir, se queremos coisa séria e produtiva.
No ensino/formação, quando tudo é pensado, e pesado, os percursos formativos seguem o seu trânsito normal, que não dispensa o seu tempo próprio, de afirmação, confirmação e validação de resultados, para posterior ponderação e correcção.
A instabilidade é muito amiga da dúvida e da especulação, muito boa conselheira da incerteza e da insegurança.
E não há processo formativo que resista a tanta vertigem normativa.
Rebelo Marinho in O Zingarelho
