Nunca uma expressão revelou tão completamente o seu verdadeiro significado.
A frustração, a revolta, a impotência por não conseguir atingir o objetivo que estava logo ali ao alcance da mão, e maximizada até ao absurdo pelo cadáver de uma criança numa praia da Turquia.
Completamente vestido, como se fosse para uma festa de um coleguinha de escola, o menino que morreu às portas da Europa é um insulto para todos os europeus , mas também uma chapada na cara dos americanos, dos chineses e dos russos que, cinicamente, contemplam os problemas que atormentam um velho rival .
Temos um problema que não se resolve com a construção de muros ou centros de refugiados, piedoso pleonasmo para evitar a expressão campos de concentração porque a segunda guerra está demasiado perto . Enquanto não for resolvido, este problema vai minar as famílias, as sociedades e os países. Atente-se ao que já se passa nas redes sociais com a disponibilidade portuguesa para acolher refugiados.
Se não encontrarmos uma solução equilibrada vamos tornar-nos insensíveis ao sofrimento, o primeiro passo para matar a solidariedade é libertar os cães da guerra.
Miguel Alexandre Ganhão in CM
