O relator do grupo de trabalho da Assembleia da República sobre incêndios florestais, Miguel Freitas, defendeu esta segunda-feira na Lousã, Coimbra, que se tem de dar "prioridade à questão florestal", considerando que há muito por fazer na gestão das florestas.
"Ou temos uma ideia de uma prioridade política clara para o país ou dificilmente conseguiremos traçar um caminho", sublinhou o deputado socialista Miguel Freitas, referindo que "a questão florestal está em perda do ponto de vista político".
Segundo o relator do grupo de trabalho, falta fazer muita coisa na gestão florestal, nomeadamente a concretização do alvará florestal, valorizar a "certificação florestal", desenvolver mecanismos capazes de gerir melhor as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) e criar "sociedades de gestão florestal" para territórios que não se enquadrem nas ZIF e "fazer mais" no âmbito dos incentivos fiscais que promovam a gestão florestal. Miguel Freitas falava durante a apresentação no Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques, na Lousã, do livro "Análise da Problemática dos Incêndios Florestais", redigido no âmbito do grupo de trabalho da Assembleia da República.
"Desfocagem"
Na obra, o grupo de trabalho conclui que há "uma desfocagem entre o dispositivo para o combate e o dispositivo para a prevenção", defendendo um foco "centrado nas políticas florestais, na mitigação e gestão de riscos", devendo o combate estar "no fim da linha".
Nesse sentido, as conclusões apontam para a necessidade de se "acrescentar valor à floresta" como um dos objetivos estratégicos. Um ponto frisado pelo deputado do PSD Maurício Marques, também membro do grupo de trabalho, que apontou para a importância de se "valorizar a floresta", sendo para isso necessário fazer-se "ordenamento".
"Evoluiu-se muito no combate, mas o país ainda não está preparado para mexer na propriedade florestal", referiu, salientando que é "urgente fazer um emparcelamento da floresta", de modo a se poder valorizar este recurso.
Fonte: CM

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