Cerca de três minutos. Esse foi o tempo máximo que Antônio Luiz Debortoli (45) conseguiu ficar na sala da UTI, quando seu filho, Fábio Júnior _ à época, com cinco meses de idade _ precisou passar por uma cirurgia no coração. Ele tentou permanecer na sala repleta de aparelhos por mais duas vezes, mas deparar-se com a realidade não era nada fácil. Na última tentativa, teve de encarar a notícia que deixou-o sem chão, momentaneamente: o mais novo dos quatro filhos havia nascido com uma lesão no cérebro e, por isso, teria seu desenvolvimento comprometido.
Debortoli não poderia reverter a situação do filho, mas o que o médico de origem japonesa lhe disse, à época, ecoou por muito tempo em sua mente: "Faça algo pelos outros, ajude a todas as pessoas que puder." Somente cinco anos depois, o pai entendeu o conselho. "Foi uma pancada no coração, na hora, e uma pulga atrás da orelha durante um bom tempo, até que eu me deparasse com um curso de socorrista que seria realizado em nossa cidade. Não pensei duas vezes", conta.
Fábio Júnior Debortoli, atualmente com 12 anos, não caminha, não fala, comunica-se por sons e pequenos gestos, e inspirou a vida do pai, que, há sete anos, atua como bombeiro voluntário de Arvorezinha. Do curso realizado em 2007 aos dias atuais, Tonho, como é costumeiramente chamado pelos conhecidos, mudou o foco e a missão de sua vida. "Sou bombeiro 24 horas por dia, sete dias por semana", orgulha-se.
Ao longo desse tempo, perdeu a conta de quantas pessoas ajudou a salvar, seja em incêndio, seja em acidentes de trânsito. "Sinto meu coração aliviado a cada auxílio prestado", comenta. De todas as ocorrências já atendidas por Tonho, as que envolvem acidente com moto é a que mais o preocupa. Ele explica que a possibilidade de um traumatismo craniano e lesões na medula são maiores nesse tipo de situação. "Eu fico obstinado a resgatar o cidadão, a preservar a vida, mas nem sempre as condições do acidente favorecem", lamenta.
Capacitação
No Corpo de Bombeiros Voluntários de Arvorezinha, o telefone de plantão está sempre com a bateria carregada e sob a tutela de Debortoli. "As pessoas contam conosco e precisamos estar disponíveis", reforça. Outros seis bombeiros voluntários atuam na corporação. A habilidade nas funções e as técnicas necessárias ao pleno exercício do trabalho requerem renovação permanente.
Essa necessidade levou o grupo a inscrever-se num curso, que ocorre desde 11 de julho e encerra-se no dia 5 de dezembro. "São 310 horas de capacitação, muita técnica e conhecimento, todos os fins de semana, em Colinas", conta Debortoli. Para viabilizar a participação no treinamento, o grupo conta com apoio público no transporte. As demais despesas são subsidiadas pela entidade.
No período do curso, dois bombeiros que optaram por não realizar a capacitação dão suporte às ocorrências que surgirem. "Tudo que for feito, por menor que seja, é melhor do que não fazer nada", ressalta. Conforme um dos membros da Comissão Administrativa da entidade, Daniel Santos, cabe à comunidade dar respaldo ao trabalho e compreender que estes agentes que atuam de forma gratuita estão dando, sempre, o seu melhor.
Os Bombeiros Voluntários de Arvorezinha são Antônio Luiz de Bortolli; Eleandro Cirino; Francisco Rodrigues da Silva; Eduardo Rodrigues; Luciane Carnetti de Mello; e Viviane Catarina Sperotto. O número do plantão é 8034 7636. A entidade criada em 2008 é dividida entre Comissão Administrativa - lideranças da comunidade que buscam o apoio financeiro necessário para viabilizar o trabalho e promover melhorias estruturais - e Corporação, composta pelos cidadãos que atuam como bombeiros.
A empresa onde Tonho trabalha como funcionário _ a Cerâmica Fachinetto _ cede um de seus espaços para guardar o caminhão-tanque. "O apoio dos chefes é indispensável para que possamos trabalhar com a tranquilidade de que, se surgir um chamado, podemos sair do serviço para atender à ocorrência.
A equipe presta serviço nos município de Arvorezinha, Ilópolis, Putinga e Itapuca.
Fonte: http://informativo.com.br/

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