Previsível, sim! Inevitável, não!
Era desnecessário "deitar cartas" para adivinhar que por esta altura voltaria o filme de terror dos incêndios, perante o desespero, raiva e lágrimas de populações indefesas, que só contam com o estoicismo e heroicidade de milhares de bombeiros. Pouco ou nada muda de ano para ano a não ser os figurantes, mantendo-se os figurões costumeiros.
Uns, do alto do seu saber, debitam sobre o "fenómeno", as suas causas e o que não se fez e deveria ter-se feito, como se nada tivessem a ver com isso. Outros distribuem culpas, entre si, face à carência dos meios e às debilidades estratégicas e operacionais que o fogo põe a nu.
Como em todas as tragédias há momentos de comédia, aqui protagonizados por alguns responsáveis policiais que não resistem à tentação de exibirem ad nauseam os números das detenções de incendiários feitas, como se de troféus se tratasse, empertigando-se mesmo sobre a questão – a quem pertence a "caça", se a quem a agarra ou a quem a leva para casa. Entretanto o país continua a arder!
Teófilo Santiago in CM
