A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) concluiu que não houve irregularidades no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e arquivou, por falta de provas, o inquérito sobre o alegado desvio de uma ambulância para que a mulher do presidente do instituto, o médico e major Paulo Campos, conseguisse chegar a horas ao hospital em que trabalha, revelou uma fonte do gabinete do ministro.
Nas conclusões da sindicância, a IGAS frisa que, depois de analisar o funcionamento e a organização dos departamentos de gestão de recursos humanos e de gestão financeira, "não resultaram quaisquer indícios da prática de condutas que consubstanciem infracções disciplinares" por parte dos trabalhadores.
O conselho directivo do INEM tinha instaurado um inquérito à actuação do departamento de gestão de recursos humanos para averiguar precisamente a eventual existência de infracções relacionada, com saldos de horas e folgas, feriados e compensações, entre outras coisas. Sobre esta matéria, a IGAS nota apenas que a falta de um dirigente intermédio de 1.º grau "potencia a desresponsabilização dos trabalhadores".
Mas as questões mais polémicas prendiam-se com as denúncias de alegado favorecimento por parte do presidente do INEM, que tem tido um mandato atribulado. No início deste ano, recorde-se, foi denunciado que uma ambulância que transportava uma doente prioritária teria sido sido desviada para que a sua mulher (que faz turnos como enfermeira da viatura de emergência de Gaia) entrasse a horas no hospital desta cidade nortenha, onde trabalha. A IGAS concluiu que não havia prova e arquivou.
Estes são os resultados da investigação levada a cabo pela IGAS que, no entanto, ainda vai ter que recolher mais informações sobre uma outra denúncia de actuação menos própria do presidente do INEM – que foi acusado de ter ordenado o transporte de helicóptero de uma doente, apesar de o hospital em causa não o ter solicitado.
Em causa estava a transferência de helicóptero, do hospital de Cascais para o de Abrantes, de uma doente que o presidente do INEM terá visitado na qualidade de amigo da família, autorizando de seguida a sua transferência de helicóptero, apesar de o hospital de Cascais supostamente não ter pedido qualquer transporte.
Sobre esta matéria, a IGAS alegou não ter sido possível recolher uma série de de informações. Face a este resultado, o ministro Paulo Macedo mandou que a investigação prosseguisse para poder decidir o que fazer em relação ao presidente do INEM, o médico e major Paulo Campos.
Nas últimas semanas, o ministro da Saúde tinha vindo a anunciar que se ia pronunciar em breve sobre as recomendações da IGAS, mas agora tudo indica que será necessário aguardar pela apresentação de novas conclusões.
Fonte: Publico
