Os quatro incêndios de grandes dimensões que nas últimas quatro semanas deflagraram no Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) reduziram a cinzas mais de cinco mil hectares de uma área protegida de floresta e mato.
Quem por estes dias passar pelo parque natural nas zonas de Gouveia, Manteigas e Covilhã encontra um mar de cinza a perder de vista, que traduz um prejuízo natural e ambiental de valor incalculável. "Além da perda irreparável de floresta centenária e de biodiversidade na Serra, temos agora que nos preocupar em replantar para evitar a erosão do solo", diz ao CM José Cardoso, vice-presidente da Câmara de Manteigas, que está igualmente preocupado com a contaminação dos lençóis de água pelas cinzas, uma vez que, alerta o autarca, "é na Serra da Estrela que se faz a captação para abastecer várias localidades da região".
O incêndio que mais danos causou no PNSE esteve ativo mais de 48 horas e só foi extinto após chover, na quarta-feira à tarde. Começou na zona de Gouveia, passou para o outro lado do maciço central e avançou em direção a Gouveia. Lavrou por "uma zona que tem forte importância ambiental, paisagística, florística, faunística e também turística", disse Rui Melo, do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, salientando que a "regeneração poderá agora demorar vários anos a ser conseguida". Ontem, a baixa de temperatura, a chuva e o aumento da humidade fez diminuir os incêndios.
A Proteção Civil registou 50 ocorrências.
Fonte: CM
