Há muito que deixou de causar surpresa a presença nas mulheres nos quartéis, nos mais distintos teatros de operações, nas mais diversas missões de socorro e proteção. Contudo, só agora começam a ganhar expressão as direções no feminino.
De norte a sul do País, elas já estão na primeira linha das estruturas operacionais e, a pouco e pouco, vão ocupando também a cadeiras da presidência dos vários órgãos sociais, assumindo merecido protagonismo nas equipas que dinamizam as associações humanitárias, detentoras de corpos de bombeiros.
Embora recusem criar destrinça, as dirigentes acabam por reconhecer uma diferença, sobretudo, de “estilo”, elas são mais maternais no trato, colocam sensibilidade nas atitudes e consolidam com bom senso as posições assumidas.
Em Chaves, ou na Amora, só para citar alguns exemplos, porque felizmente outros existem, as presidentes são figuras presentes, que tratam pelo nome cada um dos bombeiros, que lhes conhecem as histórias de vida, que se preocupam com a “floresta”, não descurando cada uma das árvores que lhe dão vida.
Num destes dias tivemos a oportunidade de conversar com a presidente da Câmara de Tomar, que também, assume com orgulho, uma ligação afetiva com os “seus” bombeiros municipais, que ultrapassa em muito a união ou a confiança institucional exigida à responsável máxima pela proteção civil do concelho.
Curiosamente, é mais descontraída a forma como “elas” hoje geram o que, no passado, foi um feudo “deles”. Ainda que inseridas em equipas maioritariamente masculinas, as dirigentes brilham e contribuem para mais uma importante mudança no setor.
No vasto e heterogéneo movimento do voluntariado, as mulheres há muito que têm uma posição de destaque, obra feita, conquistas asseguradas, pelo que estava na hora de abrir as associações humanitárias a novas dialéticas, até porque os corpos de bombeiros há muito o fizeram e com resultados muito positivos. Já há mesmo quem considere que o futuro próximo poderá trazer uma mudança ainda mais radical, consubstanciada em contingentes maioritariamente femininos.
Sem tiques ou preconceitos feministas, importa reforçar que as mulheres não são melhores, nem piores que os homens nesta missão, são, tão só, diferentes e essa diversidade de pensamento, de posicionamento ou de ideologia, só pode mesmo acrescentar valor à causa!
Sofia Ribeiro
Foto: Mário Mendes
