Sindicato Anuncia "Inédito" Pré-Aviso de Greve nos Bombeiros de Ermesinde - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 3 de março de 2015

Sindicato Anuncia "Inédito" Pré-Aviso de Greve nos Bombeiros de Ermesinde

O Sindicato Nacional dos Bombeiros Profissionais (SNBP) avançou hoje com um pré-aviso de greve na Associação Humanitário dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde (AHBVE), uma situação que tanto sindicalistas como dirigentes consideram "inédita" no Norte do país.

Em comunicado o SNBP aponta que a greve decorrerá entre as 00:00 do dia 11 de março e as 00:00 do dia 14 do mesmo mês.

O incumprimento do horário de trabalho semanal de 40 horas, a inexistência de uma carreira profissional, bem como falta de pagamento do trabalho suplementar noturno e em dias feriados são algumas das reivindicações registadas na nota do SNBP que também fala em "carga de horário excessiva e não regulamentada".

Confrontado com esta situação, em declarações à agência Lusa, o presidente da direção da AHBVE, Jorge Videira, garantiu que os elementos desta corporação recebem a título de compensação uma verba designada por "isenção de horário", bem como um "prémio de disponibilidade", o que corresponde a cerca de 250 euros por mês e sobre os feriados, apontou que "até o Carnaval é pago", algo que não é obrigatório, uma vez que este dia é considerado tolerância de ponto.

Sobre a questão da carreira profissional, Jorge Videira garantiu que existe uma estrutura estipulada nos bombeiros de Ermesinde, à semelhança de outras corporações, e avançou que estão a ser feiras "adendas" aos contratos de trabalho para "dar resposta às solicitações" dos funcionários.

Mas, também à Lusa, o dirigente do secretariado regional do Norte do SNBP, Álvaro Vilar, considerou que a estrutura atual, bem como as referidas adendas, "não são suficientes".

"Os contratos de trabalhos têm designações como maqueiro, telefonista ou motorista por exemplo, quando o SNBP pretende que de uma vez por todas seja colocada a designação de bombeiro, para que todos tenham direito a uma progressão na carreira", descreveu Álvaro Vilar.

O SNBP exige ainda que a direção da AHBVE encete negociações para a criação de um Acordo de Empresa, mas sobre esta matéria Jorge Videira "estranha" a chamada de atenção, contando que reuniu com o sindicato em 24 de novembro do ano passado, tendo este ficado de enviar o referido documento, algo que fez, garante o presidente da direção, a 23 de janeiro.

"Temos de analisar um documento de 100 páginas em tempo recorde depois de terem demorado dois meses para enviar?", questionou Jorge Videira, acrescentando que a direção está "serena mas revoltada" com o pré-aviso de greve.

"Estamos em funções há seis meses. É certo que existe muita coisa para tratar e limar, mas ninguém entende a razão para esta greve", disse o presidente que entrou em funções em julho do ano passado.

Esgrimidas opiniões, direção e sindicato concordam apenas na ideia de que esta situação é "inédita" no Norte do país, não tendo nenhuma destas entidades ideia de uma ameaça de greve em associações de bombeiros voluntários no passado.

Questionado sobre a influência que poderá vir a ter, Jorge Videira confirmou que o SNBP propôs reunir para estabelecer os moldes dos serviços mínimos, algo que a direção recusou por "ter já a garantia de que muitos bombeiros vão apresentar-se ao serviço porque não concordam com a greve", disse

"E não se dará o argumento de que recorremos à substituição de posto de trabalho porque é pessoal da casa", acrescentou.

Esta corporação serve as freguesias de Ermesinde e de Alfena, ambas do concelho de Valongo, distrito do Porto, ou seja cerca de 65 mil pessoas.

Segundo a direção da AHBVE, esta é a segunda corporação com maior número de serviços na Área Metropolitana do Porto.

Fonte: Porto Canal