Os funcionários dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde entregaram um pré-aviso de greve para o próximo dia 11 de Março. Os assalariados querem que seja assinado um acordo de empresa que contemple, entre outros, a carreira de bombeiro, o pagamento do trabalho suplementar, trabalho nocturno e o subsídio de turno.
Álvaro Vieira, secretário coordenador do Secretariado Regional do Norte do Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais, em declarações ao VERDADEIRO OLHAR, explicou que as queixas dos assalariados dos Bombeiros de Ermesinde chegaram ao sindicato há alguns meses, tendo-se realizado uma reunião com os associados e um plenário. No passado mês de Janeiro, conta, foi solicitada uma audiência com a direcção da associação humanitária, na qual foram expostas as preocupações dos 28 bombeiros assalariados e informado que seria enviada uma proposta de acordo de empresa que "facilmente resolveria" as questões em apreço. A proposta foi enviada dia 23 de Janeiro, mas até agora não houve qualquer resposta por parte da direcção.
Para além da inexistência de um contacto posterior sobre a proposta de acordo de empresa, explica Álvaro Vieira, os assalariados da instituição têm contratos de telefonistas e motoristas, não existindo a carreira de bombeiro voluntário que lhes confira categorias e respectiva progressão. Segundo o responsável, estes funcionários também "não recebem pelo trabalho suplementar, nem nocturno ou subsídio de turno".
Outra das queixas, acrescenta, prende-se com os horários de trabalho, havendo casos, por exemplo, de motoristas com "trabalho de 72 horas nocturnas semanais". São estas situações que o sindicato pretende ver resolvidas e que, diz, seriam ultrapassadas com a assinatura do Acordo de Empresa proposto. Acordo que, acrescenta, já foi assinado em duas corporações da região Norte e que sanou os problemas existentes. Como não houve resposta da direcção à proposta, o sindicato apoia os assalariados e avança com o pré-aviso de greve para o próximo dia 11 de Março, a partir das 0h00, até às 0h00 do dia 14 de Março.
Direcção refuta argumentos
Jorge Videira, presidente da Direcção dos Bombeiros de Ermesinde, em declarações ao VERDADEIRO OLHAR, refuta os argumentos dos assalariados e do sindicato, garantindo que o pagamento do trabalho suplementar e do trabalho nocturno é feito. Segundo explicou, os funcionários "trabalham 50 horas semanais, onde se inclui 10 horas de voluntariado", uma vez que os bombeiros voluntários, mesmo os assalariados, têm por lei de cumprir 200 horas anuais de voluntariado. Quanto à carreira de bombeiro, o responsável diz que foi proposto aos funcionários um aditamento ao contrato individual de trabalho, passando a constar a função de bombeiro em complemento à função que exercem. Proposta que, diz, foi recusada.
Socorro à população não será posto em causa
Jorge Videira esclarece ainda que "não somos obrigados a fazer um acordo de empresa", considerando que tal "só prejudica os funcionários porque passam a trabalhar oito horas diárias e deixam de receber o subsídio de isenção de horário e de disponibilidade". Lembra ainda que, desde há seis meses, altura em que tomou posse, os funcionários tem duas folgas semanais quando antes tinham apenas uma."Obrigam-nos a meter mais funcionários mas também ficam prejudicados", disse, acrescentando que a direcção "tudo fará para que a greve não aconteça", com a certeza, porém, que a haver greve "o socorro à população não será prejudicado".
O responsável lamenta que a situação "nunca tenha sido levantada à anterior direcção", acrescentando que está na liderança "há seis meses e sabem que estamos a fazer um esforço a recompor a casa". Os Bombeiros de Ermesinde têm cerca de uma centena de voluntários, sendo que 28 são assalariados.
Fonte: Verdadeiro Olhar
