Esta situação motivou uma reação do Bloco de Esquerda através dos deputados Helena Pinto e João Semedo:
As macas, em que os doentes tinham sido transportados, não eram libertadas, o que causou uma autêntica fila de espera de ambulâncias e das respetivas tripulações, impedindo-os de acudir a outras situações, inclusive a outras situações de urgência que pudessem ocorrer.
Os Bombeiros transportam os doentes e assim que chegam a um Hospital devem ser de imediato libertados e o hospital deve acolher esses mesmos doentes. Um bombeiro, com quem o Bloco de Esquerda falou, estava há 4 horas à espera para “entregar a doente”!
Dentro das urgências o ambiente caracterizava-se, para além das horas de espera, pelo desespero dos profissionais de saúde que tentavam resolver as situações, mas muitas vezes sem sucesso, devido ao excessivo número de pessoas que esperavam para ser atendidas.
Não é a primeira vez que esta situação acontece nas Urgências do Hospital de Abrantes. Fruto das sucessivas “reorganizações” do Centro Hospitalar do Médio Tejo. Atualmente está tudo concentrado neste Hospital, ao mesmo tempo que as Urgências do Hospital de Torres Novas e Tomar foram esvaziadas. Os utentes são obrigados a maiores deslocações e a maiores tempos de espera. O mesmo acontece com as Corporações de Bombeiros. Esta situação tem criado sérios problemas à prestação de cuidados médicos à população do Médio Tejo.
Entretanto e no mesmo dia, a Diretora do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, veio reconhecer publicamente que 29.500 utentes não têm médico de família. Trata-se de um universo de 228.000 utentes distribuídos por 11 concelhos. Os casos mais graves são os concelhos de Abrantes, onde cerca de 12.000 utentes não têm médico de família, Ourém – 8.100 utentes; Torres Novas – 6.300, Sardoal – 2.000 e Ferreira do Zêzere – 1.100.
A degradação das condições da prestação de cuidados de saúde no Médio Tejo é uma realidade e agrava-se dia para dia.
Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, com carácter de urgência, através do Ministério da Saúde, as seguintes perguntas:
1.O Ministério da Saúde tem conhecimento da situação vivida nas Urgências do Hospital de Abrantes?
2.Que medidas estão a ser tomadas para que as Urgências do Centro Hospitalar funcionem com normalidade e consigam responder às necessidades da população?
3.Que medidas estão a ser tomadas para adquirir equipamento, nomeadamente macas, para que os Bombeiros possam regressar às suas tarefas e não permanecer horas à espera?
4.Que medidas vai o Ministério tomar para a contratação de médicos de familia para o Agrupamento de Centros de Saúde do Médio Tejo?
Fonte: Jornal Cidade de Tomar
.jpg)