A 12 de janeiro de 2010, um sismo de magnitude 7,0 devastou a região de Port-au-Prince, no Haiti, uma zona sismologicamente ativa e com histórico de catástrofes semelhantes (1946, 1842, 1770, 1751), causando 316 mil mortos, 350 mil feridos e arrasando milhares de edifícios, infraestruturas e equipamentos, provocando um impacto dramático na vida económica e social de um dos países mais pobres das Américas.
Às primeiras notícias da catástrofe, as Nações Unidas intervieram e a comunidade internacional mobilizou-se na resposta humanitária às populações das áreas atingidas, enviando equipas de socorro e assistência, alimentos e outros bens. No terreno, enfrentando condições adversas, agravadas pela atividade sísmica que se prolongou nos dias seguintes, estas equipas internacionais foram determinantes na ajuda aos milhares de haitianos em situação de extrema penúria e sofrimento.
Portugal, integrado no Mecanismo Europeu de Proteção Civil, enviou, poucos dias depois (15 de janeiro) uma Força Conjunta de Proteção Civil para aquele país, com o objetivo de instalar e operacionalizar um campo de desalojados.
A bordo do Hércules C-130 da Força Aérea Portuguesa que descolou na Base Aérea do Montijo, seguiram 27 operacionais: uma equipa de Comando e Coordenação da Autoridade Nacional de Proteção Civil, um grupo do INEM composto por médicos, enfermeiros e socorristas, um grupo da AMI com 5 elementos (médicos, enfermeiros e logística), uma médica-legista do Instituto Nacional de Medicina Legal e um grupo de 10 bombeiros da Força Especial de Bombeiros “Canarinhos” da ANPC.
No aparelho seguiu também material diverso para apoio à missão (um Posto Médico Avançado, tendas, WC portáteis, chuveiros, lençóis, geradores, cobertores, kits de cozinha e de higiene pessoal).
Uma vez em território haitiano, aquela Força Conjunta Nacional montou, na localidade de Delmas, nos arredores da capital, um campo de desalojados composto por 65 tendas para alojamento temporário, para servir uma população estimada de 615 pessoas, com possibilidade de apoiar outras 1000, das áreas limítrofes. Neste campo, foram instalados dois depósitos de água com capacidade total de 20.000 litros, 30 latrinas, redes elétrica e de drenagem pluvial, uma estação de purificação de água e um posto de assistência médica, entre outras valências.
Concluída a missão, a gestão e operacionalização deste campo de desalojados foi confiada à AMI, através de um contrato de doação.
Fotos: Lusa/Tiago Petinga
ANPC


