Os “Alfaiates” de Fatos Inteligentes - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Os “Alfaiates” de Fatos Inteligentes


Saiba como a Onwork está a produzir fatos de combate que protegem os bombeiros, fardas hospitalares que repelem o sangue e descubra como vai crescer a empresa da roupa de trabalho inteligente.

Em dois anos a primeira empresa a nascer na incubadora de Famalicão já alinhavou um futuro fora do “ninho”. Está a produzir roupa de trabalho inteligente e já tem procura além-fronteiras. O produto “bandeira” da Onwork, que chamou a atenção para o trabalho da empresa, é o fato de combate a incêndios em espaços naturais, o “Forest PT”. Um fato desenvolvido, produzido e certificado em Portugal e que, explica João Almeida, sócio fundador da empresa, “apresenta inovações face ao que existe atualmente”.

A produção de roupas com capacidades “inteligentes” foi de resto o que serviu de mote à criação da empresa por parte de João Almeida e do sócio João Sousa. Criada em 2012 e incubada no Centro de Alto Rendimento de IDT do CITEVE, Centro Tecnológico Têxtil e Vestuário, a Onwork surgiu graças a um projeto no âmbito do programa Inovatêxtil.

No caso com a oportunidade de produzir a primeira farda de trabalho com alta resistência e repelência a toda a sujidade de base aquosa e oleosa – uma farda de âmbito hospitalar com repelência ao sangue. “Foi criada e registada uma marca, NoStain, como canal para a comercialização desta solução”, refere o empreendedor em declarações à INVEST.

Hoje a principal missão da empresa passa pelo desenvolvimento, promoção e a comercialização de produtos “hi-end”, para o universo do mercado do vestuário de trabalho e proteção individual. É aqui que reside o principal fator de diferenciação face à concorrência nacional, explica João Almeida: “A aposta no mercado do vestuário de trabalho diferenciador, inovador e com grande incorporação de I&D”.

Esta aposta – na criação de vestuário com componente de inovação – leva a que a Onwork trabalhe para mercados-alvo muito específicos, nomeadamente o setor das Forças de Segurança e Militares, os Bombeiros e Proteção Civil, Saúde e Hotelaria.

Neste momento a empresa já produz fardamento para os sectores da saúde e hotelaria, sob a marca NoStain, com características de alta resistência e repelência a toda a sujidade de base aquosa e oleosa.


Produzir no coração do têxtil

Para João Almeida, o facto de a empresa ter iniciado no Centro de Alto Rendimento de IDT do CITEVE, “foi fundamental para o desenvolvimento da empresa, uma vez que se trata de um local privilegiado pela proximidade com instituições ligadas ao sector têxtil, como o CITEVE ou a ATP ou o CENTI, e acrescida possibilidade de estabelecer parcerias capazes de acrescentar valor aos produtos que são comercializados”.

A empresa mudou a sua sede para Paços de Ferreira, para aumentar a área administrativa e de armazém e também para criar um showroom. A produção é também feita em Paços de Ferreira e em Guimarães.

Apesar desse “salto” João Almeida lamenta a falta de apoio – em termos de capital – que limitou o crescimento da empresa, como acontece com muitas startups. “A Onwork no primeiro ano de atividade apenas pode contar com capitais próprios para se desenvolver. Em Portugal, infelizmente, não há a prática, salvo raras exceções, de investidores acreditarem em startups e apoiar finceiramente numa fase precoce mas essencial para o êxito da empresa. A banca tem muita dificuldade em financiar este tipo de empresas, mesmo que os projetos sejam interessantes, pela falta de histórico destas, o que torna muito mais difícil o crescimento deste tipo de empresas, fazendo que este seja muito mais lento, dependendo apenas de capitais próprios para o seu desenvolvimento, como foi o caso da Onwork”, considerou.

 Vender para o mundo “luso”

 A curto prazo o caminho está alinhavado para a Onwork vender os seus produtos fora de portas, havendo contactos com países de língua portuguesa (PALOP), nomeadamente Angola.

“Em termos de mercados, é nosso objetivo internacionalizar a empresa, sendo os PALOP um mercado prioritário pois para além da língua, há bastantes coisas que nos aproximam e há sempre uma apetência destes países por produtos semelhantes aos usados em Portugal”, reflete João Almeida.

Há ainda uma possibilidade de parceria com uma empresa Croata, para fornecimento do Fato de Combate a Incêndios em Espaços Naturais para aquele mercado.

Apesar disso, no imediato o mercado principal é o nacional. As vendas têm sido feitas diretamente junto do cliente final, sem intermediários. E está em estudo a hipótese de no próximo ano serem criadas parcerias para revenda dos produtos.

Quanto a produtos, ainda há bastante por onde inovar, explica o fundador da Onwork. “Temos bastantes produtos que queremos apostar nestes sectores, nomeadamente nos produtos do sector das Forças de Segurança e Militares que está mais atrasado do que o sector dos Bombeiros, por exemplo. Mas também no sector dos Bombeiros ainda temos mais produtos para apostar, nomeadamente na produção de um Fato para Combate a Incêndios Urbanos made in Portugal”, revela.


Gestão, saúde e têxtil de mãos dadas

À experiência de gestão de João Almeida somou-se o percurso de João Sousa, sócio com trabalho feito em outsourcing produtivo numa empresa da área têxtil. Juntos constituíram a Onwork em 2012.

De forma mais detalhada podemos dizer que João Almeida é natural de Guimarães, tem 34 anos e é formado em gestão de empresas, com uma pós-graduação em análise financeira. No seu curriculum profissional conta com experiência na área comercial, financeira, em contabilidade e gestão e em auditoria em empresa multinacional.

Quanto a João Sousa é natural de Paços de Ferreira, tem 33 anos,  tem formação de base na área da saúde, nomeadamente em enfermagem. Nos últimos anos tem desempenhado funções de coordenação, gestão e planeamento da produção, gestão financeira e gestão de outsourcing produtivo numa empresa da área têxtil. A junção da experiência e conhecimento na área da saúde, bem como a experiência de gestão na indústria têxtil servem agora os propósitos da Onwork.

Fonte: http://www.revistainvest.pt/