Opinião: Os Incêndios e as Sessões Técnicas - VIDA DE BOMBEIRO

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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Opinião: Os Incêndios e as Sessões Técnicas


Numa versão mais contida e mais “soft”, aí estão, de novo, as sessões técnicas de análise aos incêndios florestais, replicando a experiência do ano transacto, em 2014.

Começaram anteontem, sábado, e em 4 sessões, resolvem-se já no próximo, fica assim o pessoal aviado, em versão compacta, tipo “rapidinha”.

O modelo mantém-se, os animadores variam ligeiramente e já não se tem como garantida a presença da tutela na sessão final, “prevê-se”, verbo abrangente, que dá para tudo, cobre todas situações e não deixa ninguém ficar mal nem encabulado.

São de saudar estas iniciativas, quanto mais se ouvir melhor, ouvir, neste sector, é obrigatório, dada a natureza privada das entidades detentoras dos CBs , dado o facto de elas se encontrarem arredadas de todos os centros de decisão e dada ainda a circunstância de o Estado Central não ter bombeiros.
Decidir sobre tropas que não se têm e que não são suas, implica que, no mínimo, e sem favor, se ouçam as tropas e quem, para o bem e para o mal, as detém.

Antes da repetição da acção, é suposto que se tenha feito uma avaliação dos impactos dos debates/propostas das sessões do ano transacto no desenho das novas políticas para os incêndios florestais.
Se nos detivermos no ano de 2014, verificamos, com pesar e contristados que, no essencial, nada do que foi proposto e que a LBP compilou sob a forma de "Relatório DECIF/2013", teve acolhimento, afinal, foi "falar para o boneco" e para as paredes, que só têm ouvidos quando querem.

Por outras palavras, as sessões de 2014 tiveram um perfil panfletário e foram uma pura operação de "marketing" político, com muito pouca produtividade no que verdadeiramente interessava, isto é, mudanças na concepção e implementação do dispositivo de combate aos incêndios e nas responsabilidades financeiras da tutela.

Fora esse pormenor, e independentemente das avaliações feitas, há um outro que quero registar e que julgo da maior importância, olhando à cultura e aos valores matriciais deste sector.

As AHBVs/CBs convivem com poderes bicéfalos, o institucional e o operacional, cada qual com o seu representante, e bem, que essa coisa de acumular na mesma pessoa o presidente e o comandante era uma situação bizarra e potencialmente geradora do pântano e do lodo.

Vem isto a propósito de os Presidentes de Direcção estarem afastados, é o termo, das sessões técnicas e só poderem participar na sessão final.

Nada numa Associação é puramente administrativo nem nada é exclusivamente operacional, lição aprendida em 1983, quando, pela 1ª vez, assumi responsabilidades executivas na AHBV de Sátão.
Não faz assim nenhum sentido que haja reuniões separadas, mesmo com o pretexto míope e o argumento tacanho de as direcções nada terem a ver com questões operacionais, não têm directamente, mas suportam as implicações financeiras delas decorrentes.

Neste entendimento, a decisão de reuniões separadas revela vistas curtas, é corporativa e contém um erro de consequências graves para a vida interna das AHBVs/CBs e para uma sua abordagem global e partilhada.

Não tenho a maldade de pensar que essa decisão é intencional, felizmente não tenho essa visão maquiavélica e deteriorada da vida, caso contrário estaria ainda mais azedo e andaria ainda mais desconfiado.
Mas convém que esta divisão acabe, terminando as machadadas sobre o associativismo, que ainda vale e merece respeito, pelo menos enquanto o Estado não tiver dinheiro para pagar isto tudo!

Entretanto, se puderem, façam o favor de ser felizes!

Rebelo Marinho
O Zingarelho