Não, Miguel Macedo Não Foi o Melhor MAI para os Bombeiros - VIDA DE BOMBEIRO

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Não, Miguel Macedo Não Foi o Melhor MAI para os Bombeiros

Não, Miguel Macedo não foi o melhor MAI para os bombeiros, esteve muito longe de o ser, a milhas
de o merecer, essa é que é a verdade, e  só muito benevolência pode alimentar discurso contrário.

No seu consulado, não houve alterações substanciais e estruturantes no edifício jurídico do sector, como aconteceu com António Costa e no seu tempo não se registaram melhorias significativas nos equipamentos e infra-estruturas operacionais, como no tempo de Dias Loureiro, os 2 ministros que mais mexeram no sector, o 1º, na concepção e na filosofia do edifício e com implicações no futuro próximo, o 2º no património e com efeitos imediatos, no presente de então.

Miguel Macedo optou por um discurso simpático, limitou-se a gerir o mar chão e calmo, e não levantou ondas, esteve aí o seu mérito, percebeu cedo onde podia obter abrigo e acomodou-se, mas alguns dossiers a seu cargo até lhe correram bem mal, como foi o caso dos EPIs, que ainda está para durar, e cujo mau andamento é da sua exclusiva responsabilidade política, e não das CIMs, como intencionalmente pretendeu fazer crer, tendo nesse desiderato fiéis seguidores, zelosos prosélitos e alguns hipócritas apoiantes.
Se pretendermos encontrar uma medida que marque o seu consulado à frente do MAI, não o conseguiremos.

Mas isso são águas passadas, o que me preocupa seriamente é que decorridos quase 2 meses sobre a sua posse, a nova MAI ainda não tenha avançado numa matéria que depende exclusivamente da sua sensibilidade, vontade e iniciativa políticas.

A criação de uma estrutura operacional própria e autónoma - Comando Nacional de Bombeiros – no âmbito do Sistema Nacional de Protecção Civil e no contexto da ANPC,  é urgente, começa a ser absolutamente inadiável, o MAI cessante enrolou, engonhou, atrasou e com ele a pretensão não evoluiu rigorosamente nada, antes pelo contrário, regrediu até, com a subtil retirada à DNB dos poucos poderes que tinha e ainda tem, que um dia destes, de tão residuais, nem se dá por eles, quase todos administrativos e de intendência.

Acontece que, pelo que se ouve e lê, a actual MAI está mais preocupada com as Leis Orgânicas das forças de segurança, leia-se PSP e GNR, omitindo invariavelmente a da ANPC e assim lá iremos pelo mesmo caminho de tudo ser mais importante que os bombeiros.

E sem alteração da L.O. da ANPC não há qualquer comando próprio dos bombeiros, continuando estes a ser muito valorizados nas discursatas do costume e para aquilo que interessa, mas completamente desvalorizados e menorizados em tudo o que tem a ver com opções que contribuam para a sua afirmação institucional e operacional.

Se a Srª não pega neste assunto, lá se vai mais uma legislatura perdida e o novo MAI, que vier do novo governo, também se vai desculpar com o tempo e assim lá se vai o tempo, qualquer dia esgotou-se o tempo e já não se vai a tempo.
Daqui a pouco, a MAI terá toda a legitimidade, mas às portas do acto eleitoral já não terá autoridade para mexer em algo que é estruturante.

E não se entende esta demora ou esta omissão porque a equipa que acompanha a Srªministra é toda ela a mesma, bem enfronhada no assunto, com opinião própria sobre os temas, muita, talvez até demais, como se viu no discurso do Secretário de Estado, João Almeida, intrometido, condicionador e excessivo, com um desplante e um despudor nunca antes visto num governante, em conclaves electivos.
Com opiniões tão fundamentadas e tão seguras, não haverá razões, portanto, para adiamentos e/ou suspensões, ou, então haverá, mas escondidas, o que é feio.

Faz-se tarde para esta alteração e tenham todos santa paciência, mas já não há desculpas para tanto este atraso.

Os bombeiros querem e sonham por isso, a sua identidade reclama, a igualdade de tratamento assim o exige.

Não vislumbro razões políticas, técnicas, operacionais para que esta roda não ande,
e não tenho dúvidas de que esta medida deve ser prioritária sobre todas as outras.
Quando se perde a identidade, perde-se a dignidade e com  a dignidade em alta tudo se torna mais fácil, a força, o músculo, o pulmão, a razão.

Apelo, assim, à generosidade cristã da Srª MAI para tomar a iniciativa e conferir um desenlace, de preferência feliz, a este imbróglio com que toda a gente se entretém e , estranhamente, ninguém se apressa a desfazer.

Até já.

Rebelo Marinho in O Zingarelho