A falta de pessoal no INEM é tal que o serviço fica fortemente comprometido. A garantia foi deixada ao i pelo Conselho Português de Proteção Civil. Em novembro, uma pessoa morreu depois de esperar 1h40 pela chegada da viatura médica.
A morte de uma mulher, a 29 de novembro, enquanto esperava pela ajuda do INEM, fez soar os alarmes. A falta de pessoal está a comprometer o serviço de emergência, noticia o i na sua edição deste sábado.
“Nos últimos dois anos tivemos muita gente a abandonar o INEM e esses cargos não foram repostos”, contou o presidente do Conselho Português de Proteção Civil, dando o caso de Lisboa como exemplo. Na capital trabalhavam, em 2008, 80 profissionais. Hoje são pouco mais de 40.
A falta de pessoal compromete, na perspetiva de João Paulo Saraiva, não só a rapidez do serviço como o estado de saúde dos técnicos, que se veem assim obrigados a “fazer vários turnos seguidos”. “A longo prazo, as pessoas deixam de aguentar e entramos em situações de baixas, algumas delas psiquiátricas”, lamentou.
Só no mês de dezembro, o organismo que lidera recebeu 57 queixas relacionadas com as dificuldades na utilização da linha de emergência 112. Há casos de chamadas que chegam a ter um tempo de espera de 12 minutos e outras que ficam por atender.
Mas o problema não se fica por aqui. Depois de atendida a chamada, pode haver a necessidade de esta ser encaminhada para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU). E aqui a espera é ainda maior. A 1 de janeiro, bateu-se um novo recorde: uma chamada demorou 1h10 a ser atendida pelos técnicos.
Foi isto que aconteceu a 29 de novembro, quando uma mulher morreu, em Camarate, enquanto esperava por ajuda. Depois de ligar para o 112, esperou 1h05 até a ambulância chegar ao local. Uma vez que não havia capacidade de resposta, houve necessidade de contactar o CODU, que demorou mais 40 minutos a chegar. Por fim, nada mais restou do que decretar o óbito da doente.
Contactado pelo i, o conselho de administração do INEM informou que solicitou à tutela a contratação de 100 técnicos e que, em novembro, foram contratadas 12 pessoas. Além disso, garantiu que o tempo de atendimento “está na casa dos segundos”.
Fonte: Lusa
