Os novos órgãos sociais da Associação de Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira tomaram posse no dia 8, quinta-feira passada, no Quartel Operacional das Travessas.
Domingos Ferreira disse ter assumido “sempre com alguma apreensão”, ao longo de 16 anos, o cargo de presidente da assembleia geral da associação. Na última tomada de posse mostrou “receio” devido “ao risco de esmorecimento dos objetivos e de novas formas de agir e pensar” dos órgãos da associação. Mas na quinta-feira passada reconheceu que estava “redondamente enganado”, dirigindo “uma palavra de agradecimento à direção”. Domingos Ferreira ansiou que “as esperanças sejam reforçadas, os objetivos definidos” e fez votos de “boa vontade para com a obra” no novo mandato.
Carlos Coelho é presidente da associação há 16 anos e recandidatou-se sobretudo por duas razões: “revejo-me no espírito e nos ideais dos bombeiros” e “por não querer abandonar o barco a meio da ampliação e requalificação do quartel”.
Na lista renovada dos órgãos sociais da associação não há “efetivos e suplentes mas apenas e só uma equipa única, forte e unida” para o “crescimento saudável e sustentado desta associação humanitária e do seu corpo de bombeiros”, assegurou o presidente.
Uma das prioridades para este mandato é o projeto de ampliação e requalificação do Quartel Operacional das Travessas. A associação tem ainda no “horizonte” a segunda fase desta obra que consiste na construção de espaços inexistentes nas instalações, tais como cozinha, refeitório, oficinas, zona de desinfeção de viaturas, espaços para logística e proteção civil.
Carlos Coelho aproveitou a ocasião para pedir ao presidente da câmara e aos vereadores um aumento do subsídio atribuído aos bombeiros. O presidente da associação não compreende como é que o valor atribuído, este ano, seja “igual aos de 1999 e 2000. Temos de convir que algo está errado”, lamentou. A associação receberá este ano 100.100 euros para apoio ao funcionamento e 33.000 euros de apoio extraordinário ao investimento.
Carlos Coelho convidou o presidente e os vereadores da câmara a entrarem na “história desta associação e da própria cidade” através da aprovação de um aumento do subsídio com “verbas mais justas e condizentes com o trabalho e as responsabilidades resultantes das competências que estão atribuídas ao corpo dos bombeiros”. Um reconhecimento que “manifestamente não acontece agora”, salientou Carlos Coelho.
De acordo com o presidente, a associação vive uma realidade “difícil e complexa” comprovada pela “frieza e rigor dos números”. Atualmente “as despesas correntes ultrapassam as receitas correntes” devido “à redução drástica” de receitas nos transportes de doentes, nas quotizações dos associados e aumento “substancial” na despesa de manutenção e reparação de veículos.
“Não podemos ficar indiferentes a este problema que não é só da associação ou do corpo dos bombeiros” mas “será um problema de toda a cidade”, alertou Carlos Coelho.
Por mais que a associação queira “manter as contas equilibradas temos dificuldades em fazer milagres por mais crentes que possamos ser”. Portanto, “contem connosco, como nós e a cidade contamos convosco”, apelou o presidente da associação.
“O orçamento tem contraído”
O presidente da câmara começou por tecer “uma palavra grande, calorosa e sentida pela muito nobre missão que esta associação leva por diante”.
As associações de bombeiros são as instituições que “merecem mais reconhecimento dos portugueses em Portugal”, disse Ricardo Figueiredo. Nestas associações o número de pessoas, que nunca é demais, “empresta uma parte das suas vidas” para o socorro e proteção de pessoas e bens. Portanto, “não é de estranhar que seja a instituição em que as pessoas mais se reveem”, reconheceu o presidente.
A câmara sanjoanense e os bombeiros têm “uma parceria histórica que se vai alimentando ao longo dos anos” com “um apoio mútuo”. Contudo, nesta relação há “uma componente mais fria, que é a componente financeira, que tem estado estável mas o orçamento (municipal) tem contraído”, disse Ricardo Figueiredo sem responder diretamente ao pedido de Carlos Coelho.
Apesar dos constrangimentos orçamentais, “existe vontade do executivo e da câmara em aplicar o subsídio aos bombeiros” devido ao seu “papel” que “não pode ser confundido com nenhuma outra instituição”, frisou o presidente da câmara.
Para Ricardo Figueiredo, o sucesso da associação está intimamente relacionado com “os valores que aqui se aplicam e fomentam, como a amizade”. Numa visita aos bombeiros “é difícil não sentir a coesão, amizade, calor humano e dedicação aos outros. Valores de uma valia inqualificável”, descreveu Ricardo Figueiredo.
“S. João da Madeira tem a missão, ambição e orgulho de ter uma associação que extravasa o município” com “bombeiros que se dedicam a toda a região”, rematou o presidente da câmara.
“As pessoas não têm estado recetivas”
O presidente da associação dirigiu uma visita guiada pelas obras do Quartel Operacional no passado sábado. A ampliação e requalificação do espaço começou na última semana de novembro do ano passado, decorre dentro dos prazos normais e está prevista terminar no final do mês de maio. A ideia é comemorar ao mesmo tempo o 87.º aniversário da associação, a inauguração da obra e o Dia Municipal do Bombeiro.
A segunda fase da intervenção “é uma necessidade absoluta” que está à espera de encontrar uma candidatura a fundos comunitários, frisou Carlos Coelho. Caso não seja contemplada, “vamos ter de dividir esta fase em duas ou três e fazê-la aos poucos”.
Uma outra prioridade da associação dos bombeiros passa pela renovação da frota e de veículos. O presidente da associação confirmou a “necessidade absoluta” de renovação “ao nível de ambulâncias” porque estão “a ficar velhas, cansadas, com muitos quilómetros, muitas despesas de manutenção e reparações”. Por consequência, “estamos a começar a prestar um mau serviço às pessoas porque não têm conforto, nem dão boa viagem a quem é transportado”, afirmou Carlos Coelho. “Temos de considerar que neste momento cada ambulância equipada apenas e só com o que a lei impõe custa perto de 60 mil euros”, sublinhou o presidente.
A visita guiada às obras ocorreu dois dias depois de o presidente ter pedido um aumento do subsídio à câmara municipal. Questionado sobre as reações ao seu pedido, Carlos Coelho disse: “as pessoas estão um bocado atentas a isso mas a verdade é que, ano após outro, sentimos que as pessoas estão recetivas a ouvir mas não têm estado recetivas a corresponder”.
No entender do presidente da associação, “não se compreende que para os bombeiros voluntários na haja atualizações” de subsídios. “Se não houver bombeiros voluntários tem que haver municipais porque é obrigatório por lei. Então a câmara não gasta 120, 130 ou 140 mil euros mas gasta dois milhões ou três que não tem para gastar”, rematou Carlos Coelho.
A construção, beneficiação e ampliação do Quartel Operacional dos bombeiros terá um custo total de 439.597,90 euros. Esta intervenção conta com uma comparticipação de 85% do Fundo de Coesão; 7,5% da câmara municipal e 7,5% à responsabilidade da associação dos bombeiros. A associação suportará ainda outros custos como 44.500 euros no recheio dos dormitórios, salas de aula e mobiliário diverso; e 55.000 euros em armários/vestiários, gerador elétrico e sistema de vídeo vigilância. Desta forma, o investimento total previsto sobe para os 539.097,90 euros.
Fonte: Jornal Labor