A Maioria dos Técnicos de Ambulância do INEM têm Sintomas Depressivos - VIDA DE BOMBEIRO

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A Maioria dos Técnicos de Ambulância do INEM têm Sintomas Depressivos

Estudo interno revela que a maioria dos trabalhadores estava à beira do colapso por causa do trabalho

Um estudo interno realizado em 2013 por uma psicóloga do INEM, em colaboração com a comissão de trabalhadores, indicava que 75% dos técnicos de ambulâncias estava em burnout (35% em burnout alto e 40% em burnout médio) – um distúrbio de carácter depressivo ligado à vida profissional. 

“Na prática, é estar num ponto limite, em que ou se cai em depressão, ou o trabalhador acaba por se despedir”, explica ao i o presidente do Sindicato dos Técnicos de Ambulância de Emergência, Ricardo Rocha. 

Nos últimos anos, conta o responsável, o INEM tem assistido a um crescente número de suicídios entre trabalhadores, assim como despedimentos e baixas psiquiátricas. “Os trabalhadores não são suficientes e acabam por ter condições de trabalhoinimagináveis”, garante. 

Por cada turno extra de oito horas, o trabalhador do INEM recebe 22,50 euros, mas ao exceder os seis turnos extra por mês, deixa de receber esse valor porque esse já excede em 60% o seu salário. Apesar de fazer questão de apresentar estes números, o presidente do sindicato esclarece que as reivindicações salariais não são uma prioridade. 

“Queremos apenas que respeitem os trabalhadores, dando melhores condições de trabalho, o que passa pela contratação de mais colegas”, refere. O INEM está a aguardar a decisão da tutela relativamente à abertura de concurso externo para a contratação sem termo de 110 novos Técnicos de Emergência, mas o presidente do sindicato garante que esse número é insuficiente. “Com a quantidade de pessoas que se despediu ou que entrou em baixa, são precisos, pelo menos, mais 250 trabalhadores”, salienta.

Estudo Vítor Bezerra, responsável pela Comissão de Trabalhadores doINEM, lembra que para a realização do estudo sobre o burnout, os mais de 400 técnicos de ambulância tiveram que anotar o seu dia-a-dia profissional, referindo os pontos positivos e negativos. Além disso, foram entrevistados repetidas vezes pela equipa de psicologia do INEM. 

“Os resultados espantaram toda a gente”, lembra, acrescentando que “em qualquer outra situação, esta seria uma empresa em risco de fechar”.

Depois dos resultados terem sido divulgados internamente, a antiga direcção organizou sessões entre os trabalhadores e a equipa de psicologia do INEM e foram criados sessões de grupo, “ao estilo alcoólicos anónimos”, refere Vítor Bezerra, onde os trabalhadores podiam partilhar o seu dia-a-dia profissional.


Fonte: ionline