Açores Denunciam Falta de Meios Para Evacuações Aéreas - VIDA DE BOMBEIRO

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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Açores Denunciam Falta de Meios Para Evacuações Aéreas

Imagem Ilustrativa 


Há três helicópteros nas regiões autónomas, mas a Força Aérea tem apenas uma tripulação completa disponível para os operar.

A Força Aérea (FA) está sem meios para assegurar as evacuações médicas por via aérea nos Açores, afirma o presidente do Governo Regional. Vasco Cordeiro sublinha que esta não é uma questão da sua competência.

"Não percebi muito bem o argumento do senhor ministro, porque este problema não é um problema de competências" entre governos da República e Regional, afirmou Vasco Cordeiro, em reacção a declarações de desta quarta-feira do ministro da Defesa, Aguiar-Branco.

De acordo com o líder açoriano, há três helicópteros nas regiões autónomas para serem usados nestas situações, dois nas Lajes e um em Porto Santo, mas, desde o final do ano passado, a Força Aérea tem apenas uma tripulação completa disponível para os operar.

"A única questão que é necessário esclarecer aqui é se está ou não está assegurada nos Açores esta capacidade da Força Aérea realizar estas missões. Os dados que eu tenho apontam para que não está", frisa.

O presidente do executivo dos Açores sublinha que o transporte urgente de doentes, sob a designação de "evacuações sanitárias", é uma das missões da FA, atribuída a duas das suas esquadras, a 751 e a 502, e que o protocolo a que Aguiar-Branco se referiu não tem a ver com "questões de competências da região", mas com a forma como se processa o relacionamento entre a protecção civil açoriana e os militares quando surge um caso destes. 

O ministro da Defesa afirmou, numa audição parlamentar, que as evacuações médicas nos Açores são da competência directa do Governo Regional e que o protocolo com a FA prevê apoio em função dos meios disponíveis e "foi cumprido" no caso ocorrido no sábado, quando um homem ferido morreu na ilha de São Jorge sem ter sido transferido para o hospital por falta de meios aéreos. 

O presidente do Governo Regional dos Açores quer “esclarecer cabalmente o que se passou, desagrade isso a quem desagradar".

Vasco Cordeiro explica que não ordenou nenhum inquérito à FA, como referiu Aguiar-Branco, mas sim um inquérito para esclarecer o que aconteceu na situação de São Jorge, "na componente em que obviamente ela tem intervenção por parte de entidades regionais" e na sua relação com a FA. 

A este propósito, lembrou que no despacho em que ordenou o inquérito sublinhou não estar em causa "o empenho, o profissionalismo e a dedicação" dos militares da Força Aérea que têm prestado e prestam serviço nos Açores. 

Sublinhando que "a questão não se resolve com jogos de palavras ou com guerras entre governos", Vasco Cordeiro acrescentou que "os aspectos essenciais" neste caso não são aqueles para os quais o ministro "quis dirigir" o assunto, como a alegada falta de certificação do aeródromo de São Jorge para voos nocturnos que, reiterou, só se aplica a voos comerciais. 

"Acredito que não tenha sido a intenção, ou faço votos para que não tenha sido essa a intenção, mas aquilo que as palavras do senhor ministro da Defesa dão a entender é que estamos entregues à nossa sorte, estamos para aqui. Isso é inadmissível", afirmou Vasco Cordeiro, considerando igualmente inaceitável "a perspectiva de que as funções e missões só se cumprem até onde houver meios". 

Quanto às dívidas dos Açores à FA por causa destas missões, referidas por Aguiar-Branco, o presidente do Governo Regional disse "não ter essa indicação". "Mas se por acaso a região está a dever alguma coisa à Força Aérea portuguesa ou ao Governo da República, pagará, como sempre tem pagado. Mas acho de mau gosto, nesta situação, misturar as duas coisas", afirmou.

Fonte: Radio Renascença

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